18/May/2026
As novas estimativas para a temporada 2025/26 divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam aumento na produção de milho entre os relatórios de abril e maio. Nesse cenário, parte de compradores, que indica ter estoques confortáveis para as próximas semanas, aguarda recuos mais expressivos, e seguem retraídos do mercado. Vale lembrar que, neste ano, os estoques de passagem no início da temporada foram estimados como um dos maiores dos últimos anos, o que já permitia certa tranquilidade a consumidores. Deste modo, vendedores, atentos às recentes quedas nos preços, aos armazéns parcialmente cheios com as safras remanescentes e com a atual colheita da safra verão (1ª safra 2025/2026) de soja e milho, estão flexíveis nas negociações, seja nos preços ou prazos de pagamentos. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 1% nos últimos sete dias, cotado a R$ 65,42 por saca de 60 Kg. Regionalmente, as áreas produtoras da 2ª safra de 2026 registram baixas ainda mais expressivas, como é o caso de Rio Verde (GO) e Sorriso (MT), com respectivas quedas de 1,7% e 3,4%, nesta ordem.
Nos últimos sete dias, os valores apresentam recuo de 0,7% mercado no de lotes (negociações entre as empresas) e de 0,8% no mercado de balcão (valor pago ao produtor). Na B3, os vencimentos são pressionados pelos recuos internacional e do dólar. Nos últimos sete dias, o contrato Maio/26 tem baixa de 1,2%, para R$ 65,22 por saca de 60 Kg. O contrato Jul/26 registra recuou de 0,5% no mesmo período, a R$ 67,02 por saca de 60 Kg. Segundo dados divulgados pela Conab no dia 14 de maio, a safra de verão (1ª safra 2025/26) agora está estimada em 28,46 milhões de toneladas, 14% superior ao da temporada anterior e ainda 2% acima do relatório divulgado em abril. Essas altas refletem aumentos em área e produtividade na maior parte das regiões produtoras. Para 2ª safra de 2026, no entanto, houve quedas mensal de 0,6% e anual de 4,2%, indo para 108,45 milhões de toneladas, refletindo sobretudo a redução de 6,2% na produtividade desta safra. Para 3ª safra de 2026, os aumentos foram de 31% entre abril e maio e de 9% entre as safras 2024/25 e 2025/26.
No agregado das três safras, a oferta do País deve ser de 140,17 milhões de toneladas, queda de leve 0,7% em relação à temporada anterior. O consumo interno deve ser de 94,86 milhões de toneladas, e as exportações podem chegar a 46,5 milhões de toneladas. Caso esse cenário se confirme, os estoques finais em janeiro/15 ficariam em 12,9 milhões de toneladas, semelhantes aos 12,46 milhões do início da atual temporada. Os dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam que a oferta mundial e o consumo devem totalizar 1,31 bilhão de toneladas em 2025/26, elevações de 6% e 5% em relação à temporada 2024/25. Com isso, os estoques de passagem para o início da safra 2026/27 podem ser de 296,95 milhões de toneladas. Para safra 2026/27, o USDA estima produção de 1,29 bilhão de toneladas, 1,3% inferior à da temporada anterior, refletindo as baixas na Argentina, na Ucrânia, no México, na África do Sul e, principalmente, nos Estados Unidos, mas que foram compensadas pelos aumentos no Brasil e na China.
O consumo para essa temporada pode ser de 1,31 bilhão de toneladas, semelhante aos da temporada 2025/26. Com isso, os estoques devem cair de 296,95 milhões em 2025/26 para 277,54 milhões em 2026/27. No Brasil, os produtores seguem monitorando o desenvolvimento das lavouras da 2ª safra de 2026 e, de forma geral, as condições têm sido favoráveis, com chuvas e temperaturas adequadas na maior parte dos Estados. Porém, a falta de chuvas em Goiás e em partes de Mato Grosso do Sul pode afetar o potencial produtivo das lavouras. Agricultores também seguem atentos às geadas que ocorrem tipicamente a partir de junho e também podem afetar as plantações. A expectativa é de colheita nas próximas semanas, com início em Mato Grosso. Quanto à safra de verão (1ª safra 2025/26), até 8 de maio, a colheita totalizou 71,5% da área nacional, segundo dados da Conab. No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que a colheita ainda não foi encerrada apenas em Guarapuava e em União da Vitória, com média estadual de 99% da área colhida até o dia 11 de maio. No Rio Grande do Sul, segundo a Emater-RS, a colheita avançou apenas 1% nos últimos sete dias, chegando a 94% da área no dia 14 de maio. Em Santa Catarina, resta apenas 1% para ser colhido, segundo a Conab.
Nos Estados Unidos, os futuros iniciaram a semana passada em alta, impulsionados pela valorização do petróleo, pela falta de chuvas em partes das regiões produtoras, pela demanda aquecida e pelas novas estimativas de redução na produção mundial 2026/27. No entanto, no dia 14 de maio, a previsão de melhora no clima e o movimento de embolso de lucros, após as recentes altas, voltaram a pressionar o mercado, mantendo os futuros praticamente estáveis. Nos últimos sete dias, na Bolsa de Chicago, o vencimento Maio/26 apresenta baixa de leve 0,3%, a US$ 4,51 por bushel, enquanto o contrato Jul/26 se mantém estável, a US$ 4,67 por bushel. Nos Estados Unidos, o USDA divulgou que, até o dia 10 de maio, 57% da área estimada havia sido semeada, avanço semanal de 19%, mas inferior ao do mesmo período de 2025 (de 59%) e maior que a média das últimas cinco temporadas (de 52%). Na Argentina, a colheita chegou a 32% da área total, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.