15/Jun/2026
Os contratos futuros de soja e milho negociados na Bolsa de Chicago passaram por um movimento de realização de lucros após semanas de valorização, reduzindo parte dos prêmios incorporados às cotações. O mercado voltou a concentrar suas atenções nos fundamentos relacionados ao clima nos Estados Unidos e aos sinais da demanda global. A valorização observada anteriormente foi sustentada pela alta das cotações do petróleo, pelas tensões geopolíticas internacionais e pelas expectativas de aumento das compras chinesas de commodities agrícolas norte-americanas. No entanto, a ausência de confirmações mais consistentes dessas aquisições levou os investidores a reavaliar posições e promover ajustes nos preços. No caso da soja, o foco voltou-se para o desenvolvimento da safra norte-americana. O cenário atual é marcado por avanço do plantio, boas condições das lavouras e ausência de problemas produtivos relevantes, fatores que reduziram parte do suporte altista observado nas últimas semanas.
Os indicadores globais da oleaginosa seguem apontando oferta relativamente confortável. A relação estoque/uso mundial está estimada em 28,3%, permanecendo acima da média histórica e afastando, no curto prazo, riscos de escassez no mercado internacional. Além disso, a competitividade da soja brasileira continua limitando movimentos mais expressivos de valorização das cotações internacionais. Uma retomada consistente dos preços dependerá de fatores como aumento das compras chinesas de soja dos Estados Unidos, deterioração das condições climáticas nas regiões produtoras norte-americanas ou nova escalada dos preços do petróleo decorrente de conflitos no Oriente Médio. Atualmente, cerca de 25% da produção de soja dos Estados Unidos está localizada em áreas sob condições de seca, percentual superior aos 13% registrados no mesmo período do ano passado, elevando a atenção do mercado para o comportamento climático durante julho.
No mercado de milho, a pressão sobre os preços está associada ao bom andamento da safra norte-americana. Apesar disso, o balanço global entre oferta e demanda permanece mais ajustado do que no mercado de soja, fator que continua oferecendo sustentação aos contratos com vencimentos mais longos. No Brasil, o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 contribui para aumentar a disponibilidade de produto e pressionar as cotações no curto prazo. Compradores dos segmentos de ração animal e produção de etanol mantêm postura cautelosa diante da maior oferta, enquanto a expectativa é de fortalecimento das exportações no segundo semestre, elemento que poderá influenciar o equilíbrio entre oferta e demanda no mercado interno. O mercado internacional voltou a atribuir maior peso aos fundamentos da safra norte-americana, ampliando a sensibilidade das cotações a eventuais mudanças climáticas ou alterações no ritmo da demanda global nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.