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15/Jun/2026

Preços do milho pressionados no mercado interno

Apesar de o início da colheita ainda estar concentrado em poucos Estados no Brasil, a expectativa de aumento da oferta nas próximas semanas já tem pressionado as cotações do milho na maior parte das regiões. Atentos à possível safra volumosa, os compradores têm limitado o volume de negociações, à espera de desvalorizações mais expressivas nas próximas semanas. Os vendedores, por sua vez, estão mais flexíveis nas negociações, reduzindo as pedidas e/ou ajustando a data de entrega ou de pagamento, com o intuito de escoar o cereal neste início de colheita. A retração de consumidores, inclusive, foi reforçada pelas estimativas divulgadas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) no dia 11 de junho, apontando aumentos na produção brasileira em 2025/26 e na oferta mundial 2026/27. No Brasil, o aumento é reflexo da melhora na produção da safra de verão (1ª safra 2025/2026), enquanto em termos mundiais, países como a Índia terão aumento na safra, cenário que também elevou os estoques mundiais do cereal.

Neste contexto, o Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 0,7% nos últimos sete dias, cotado a R$ 64,03 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as quedas são de 2,4% no mercado de balcão (valor pago ao produtor) e de 1,1% no mercado de lotes (negociações entre as empresas). Em São Paulo, na região da Mogiana, os preços apresentam queda de 2,4% nos últimos sete dias. Na Região Centro-Oeste, onde a colheita avança de forma mais intensa, os valores recuam com ainda mais força. Em Sorriso (MT) e em Dourados (MS), a desvalorização é de 4,5% no mesmo período de comparação. No Paraná, as baixas são menos intensas, de 0,4% nos últimos sete dias em Ponta Grossa e na região norte do Estado e de 0,8% na região oeste paranaense. No dia 11 de junho, a Conab divulgou novo levantamento para a temporada 2025/26, reduzindo a produção da 2ª safra de 2026, aumentando a da safra de verão (1ª safra 2025/2026) e mantendo as estimativas para a 3ª safra de 2026.

No agregado, a alta mensal é de 0,2%, mas a produção desta temporada deve ser 0,5% inferior à de 2024/25, somando 140,46 milhões de toneladas. Especificamente para 2ª safra de 2026, a redução foi de leve 0,5% frente ao relatório de maio, passando para 107,86 milhões de toneladas, e baixa de 4,7% na comparação com a temporada passada. Para o milho safra de verão (1ª safra 2025/2026), a safra atual passou a ser estimada em 29,33 milhões de toneladas, 3% a mais que o indicado no relatório anterior e ainda 17,7% superior à temporada passada. A 3ª safra de 2026 teve manutenção entre os relatórios mensais, mas com forte aumento de 8,9% entre as temporadas. O consumo doméstico é estimado em 94,88 milhões de toneladas, e as exportações devem totalizar 46,5 milhões de toneladas. Caso essas estimativas se concretizem, os estoques finais nesta temporada seriam de 13,25 milhões de toneladas, 6% superior ao da temporada anterior.

Em termos globais, o USDA estima produção de 1,3 bilhão de toneladas, acima das 1,29 bilhão de toneladas do relatório anterior, mas redução de 2% em relação à temporada anterior. Com relação aos estoques finais mundiais, o USDA projeta em 281,21 milhões de toneladas, contra as 303,35 milhões de toneladas na temporada 2025/26. De acordo com a Conab, a colheita da 2ª safra de 2026 chegou a 3% da área nacional até o dia 5 de junho, ainda inferior aos 3,8% da média das últimas cinco safras. Os trabalhos da safra de verão (1ª safra 2025/2026) estão em 87,7% da área nacional, semelhante aos 88% da média dos cinco anos. Na semana passada, a colheita precisou ser paralisada no Paraná, devido às chuvas, mas, em Mato Grosso, os trabalhos de campo seguiram, e as primeiras lavouras colhidas apresentam produtividade elevada. Especificamente para 2ª safra de 2026, no Paraná, dados do Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) do dia 9 de junho seguem indicando que a colheita se concentra nas regiões de Cascavel, Francisco Beltrão, Laranjeiras do Sul, Pato Branco, Pitanga, Ponta Grossa e União da Vitória.

Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica que a colheita alcançava 5,85% da área até o dia 5 de junho, avanço de 3,19% em relação ao mesmo período da safra 2024/2025. Nos Estados Unidos, os preços são pressionados pelo clima benéfico nas regiões produtoras do cereal no país, pelo avanço da colheita da 2ª safra de 2026 no Brasil e pelas projeções do USDA de aumento na oferta mundial do cereal. Com isso, na Bolsa de Chicago, os vencimentos Jul/26 e Set/26 registram baixa de 3% ambos, a US$ 4,11 por bushel e a US$ 4,20 por bushel, respectivamente. Quanto às lavouras, o relatório divulgado no dia 7 de junho pelo USDA indica que 97% da área havia sido semeada nos Estados Unidos, sendo que 67% estão em condições boas e excelentes; 28%, em médias; e 5%, entre ruins e muito ruins. Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita chegou a 43,6% da área cultivada até essa quinta-feira, avanço de 3% em relação à semana anterior. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.