17/Jun/2026
O mercado brasileiro de milho deve seguir pressionado no curto prazo. A colheita da 2ª safra de 2026 avança e os compradores se mostram pouco dispostos a disputar novos lotes. As chuvas registradas em parte das áreas mais tardias reduziram o pessimismo em relação ao potencial produtivo e reforçaram a percepção de oferta relativamente confortável nos próximos meses. O mercado brasileiro é o mais baixista de curto prazo. A entrada da 2ª safra de 2026 e a melhora das condições em lavouras plantadas fora da janela ideal levaram agentes a rever parte das estimativas mais pessimistas.
O mercado físico segue com baixa liquidez. O movimento atual é concentrado na entrega de contratos já firmados, tanto para consumidores domésticos quanto para exportadores, enquanto os negócios novos permanecem escassos. Com os preços em queda, os produtores evitam novas vendas e os compradores também mantêm postura cautelosa diante do elevado custo financeiro. Nos portos, a paridade de exportação continua oferecendo pouco estímulo às negociações no interior. O desenvolvimento das lavouras em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul é considerado positivo, com menor possibilidade de perdas.
A janela de geadas e o clima frio apenas alonga o ciclo das plantas, mas não deve colocar o potencial produtivo em risco. As perdas estimadas nos estados de Goiás e de Minas Gerais não devem ser suficientes para impulsionar os preços gerais. Para o segundo semestre, contudo, há espaço para mudança de direção. Com parte relevante da safra já comprometida em contratos antecipados, tanto para exportação quanto para o mercado interno, e produtores priorizando a comercialização da soja para financiar a próxima temporada, o milho tende a ganhar sustentação após o pico da colheita.
Em São Paulo, na região de Campinas, a oferta de lotes começou a aparecer de forma mais expressiva, embora o produtor tente costurar negócios com preços maiores. O mercado interno spot indica até R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, para a realização de negócios no curto prazo. Para exportação, a indicação pata 2ª safra de 2026 é de R$ 63,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em julho e R$ 64,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em outubro e pagamento em novembro.
Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a demanda está enfraquecida. As usinas de etanol e as fábricas de ração da região encontram-se totalmente abastecidas até agosto, gerando uma barreira para o escoamento do milho que começa a entrar nos silos. Diante disso, as indicações internas de compra são pouco atrativas, chegando a R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento no final de julho. Para exportação, a indicação é de R$ 40,00 por saca de 60 Kg FOB, refletindo a fraqueza do dólar e a falta de liquidez internacional.