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18/Jun/2026

Etanol de Milho: OMI reconhece baixa emissão do Brasil

A definição da pegada de carbono do etanol de milho brasileiro pela Organização Marítima Internacional (OMI) representa um avanço relevante para a consolidação do biocombustível nos mercados globais de energia e combustíveis de baixa emissão. A entidade estabeleceu, em maio, o valor padrão de 20,8 gramas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e) por megajoule para o etanol produzido a partir do milho de segunda safra brasileiro. O indicador posiciona o produto brasileiro em um patamar significativamente inferior à intensidade média de emissões atualmente observada no transporte marítimo mundial, estimada em 93,3 gramas de CO₂e por megajoule. A diferença reforça o potencial do etanol de milho como alternativa para a descarbonização do setor naval, que passa por um processo crescente de adoção de combustíveis renováveis e de menor impacto ambiental.

O reconhecimento ocorre em um momento de forte expansão da indústria brasileira de etanol de milho. A produção nacional do biocombustível deverá atingir volume próximo de 10 bilhões de litros na safra 2025/26, ante cerca de 2,65 bilhões de litros registrados no início da década. O crescimento foi impulsionado principalmente pela ampliação da oferta de milho no Centro-Oeste, pela expansão da capacidade industrial e pela valorização dos coprodutos destinados à nutrição animal. A evolução do setor também está diretamente ligada ao avanço da produção de milho no Brasil. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma safra de 140,46 milhões de toneladas em 2025/26, uma das maiores da história do País. O aumento da disponibilidade de matéria-prima tem favorecido novos investimentos em usinas dedicadas ao processamento de milho para produção de etanol e derivados.

Além da expansão da oferta, o etanol de milho brasileiro tem ganhado competitividade por apresentar custos de produção inferiores aos observados em parte da indústria sucroenergética tradicional, permitindo operação durante os doze meses do ano e reduzindo a sazonalidade da oferta nacional de biocombustíveis. Atualmente, o produto já responde por parcela próxima de 30% da produção brasileira de etanol. A definição da pegada de carbono pela OMI pode abrir novas oportunidades para o setor, especialmente diante da construção de marcos regulatórios internacionais voltados à redução das emissões no transporte marítimo. O reconhecimento oficial fortalece a posição do etanol de milho brasileiro como alternativa viável para atender futuras exigências ambientais e ampliar a participação do País nos mercados globais de combustíveis renováveis. Fonte: Forbes Agro/Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.