18/Jun/2026
A National Corn Growers Association (NCGA), entidade que representa os produtores de milho dos Estados Unidos, encaminhou ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) um pedido para que os investimentos federais em pesquisa priorizem o aproveitamento comercial integral do grão de milho. A iniciativa ocorre em um contexto de desaceleração da economia rural norte-americana, marcado por custos elevados de produção, margens reduzidas e preços pressionados da commodity. A entidade defende que a ampliação e a diversificação dos canais de demanda para o milho são fundamentais para fortalecer a renda dos produtores. Entre os segmentos considerados estratégicos estão os mercados de amido, óleo, proteína, fibra, bioplásticos e bioquímicos derivados do cereal. O principal ponto levantado pela associação refere-se à distribuição dos recursos destinados à pesquisa agrícola.
Segundo relatos de pesquisadores e cientistas ligados a universidades norte-americanas, projetos voltados diretamente ao aproveitamento industrial do grão de milho estariam enfrentando maior dificuldade para acessar recursos federais. Em contrapartida, iniciativas focadas no desenvolvimento de produtos a partir dos resíduos da cultura, conhecidos como restolho ou palhada, teriam recebido maior apoio institucional. A NCGA contesta essa abordagem e argumenta que o restolho possui elevada importância econômica e agronômica dentro das propriedades rurais. Além de contribuir para a conservação do solo, o material auxilia no controle da erosão, na ciclagem de nutrientes e, em diversas regiões, também é utilizado como fonte de alimentação para a pecuária. A entidade destaca ainda que muitos produtores não demonstram interesse na comercialização desses resíduos devido aos custos adicionais relacionados à coleta, transporte, uso de máquinas e reposição de nutrientes retirados do sistema produtivo.
Como alternativa para impulsionar a bioeconomia e ampliar a demanda pelo milho, a associação aponta oportunidades crescentes no setor de bioplásticos e produtos químicos renováveis. Um dos exemplos citados é a produção de monoetilenoglicol (MEG) de base biológica a partir dos açúcares do milho, substituindo matérias-primas de origem fóssil. Projeções apresentadas pela entidade, com base em estudos de mercado para 2035, indicam que a substituição de apenas 10% do mercado global projetado de MEG por matéria-prima originada nos Estados Unidos poderia gerar receita adicional próxima de US$ 5 bilhões para as comunidades rurais norte-americanas. A iniciativa reforça o movimento crescente de busca por novas aplicações industriais para commodities agrícolas, ampliando a agregação de valor à produção e reduzindo a dependência dos mercados tradicionais de alimentação humana, nutrição animal e exportação de grãos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.