18/Jun/2026
No mercado de milho dos Estados Unidos, a demanda continua sustentada pelo setor de etanol e pelas exportações, mas a perspectiva de uma safra volumosa e os elevados estoques limitam reações mais expressivas dos preços. As lavouras norte-americanas apresentam condições favoráveis de desenvolvimento. Mesmo diante de eventuais ajustes na área cultivada, produtividades a 11,3 toneladas por hectare manteriam ampla disponibilidade do cereal no mercado. Os estoques projetados para a transição entre safras permanecem próximos de 2 bilhões de bushels, equivalentes a aproximadamente 50,8 milhões de toneladas. Esse volume continua funcionando como fator de contenção para movimentos mais agressivos de valorização. As condições climáticas também seguem relativamente favoráveis para a produção. Apesar do excesso de chuvas em algumas áreas de Iowa e Missouri, os impactos permanecem limitados. Em determinadas regiões ocorreram replantios inferiores a 10% das áreas de milho e soja.
A umidade acumulada no início do ciclo produtivo continua sustentando perspectivas positivas para o desenvolvimento das lavouras. No caso do milho, a demanda para produção de etanol segue sendo um dos principais pilares de sustentação estrutural do mercado. Estudos indicam que o etanol respondeu por aproximadamente 83% do crescimento da demanda por milho nos Estados Unidos desde 2000, reforçando a importância dos biocombustíveis para a absorção da produção agrícola. O mercado acompanha com atenção a divulgação do relatório de área plantada do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para 30 de junho. Estimativas da S&P Global Commodity Insights apontam área de milho em 38,8 milhões de hectares e área de soja em 34,5 milhões de hectares. As expectativas para o relatório permanecem elevadas porque os resultados poderão influenciar diretamente as projeções de produção para a safra 2026/27. Em algumas regiões, produtores optaram por ampliar o cultivo de soja em detrimento do milho devido aos custos de fertilizantes, enquanto em outras áreas a valorização do cereal durante a primavera incentivou a manutenção ou expansão da área destinada ao milho.
O milho foi impactado pela queda do petróleo, mas não recebeu suporte semelhante ao observado na soja devido à ausência de perspectivas relevantes de incremento da demanda chinesa. A China manteve sua projeção de importação de milho em 6 milhões de toneladas, mesmo volume estimado anteriormente e semelhante ao registrado no último ano. Além disso, a maior oferta de trigo forrageiro no país asiático pode reduzir a necessidade de importações adicionais de milho. As exportações norte-americanas avançam em ritmo cerca de 5% superior ao necessário para atingir a projeção anual do USDA, mas esse fator ainda não foi suficiente para alterar significativamente o comportamento do mercado. O Brasil também contribui para a pressão sobre as cotações internacionais. A colheita da 2ª safra de milho de 2026 atingiu 6,3% da área, ampliando a disponibilidade do cereal para exportação e aumentando a oferta global em um momento de boa produção nos principais países exportadores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.