18/Jun/2026
A produção brasileira de soja e milho tende a manter trajetória de crescimento em 2027, mesmo em cenário de fertilizantes mais caros, crédito restrito e margens próximas do ponto de equilíbrio, com limitação relevante apenas em caso de choque climático. A avaliação é de estudo publicado no Farmdoc Daily, portal da Universidade de Illinois, elaborado por pesquisadores das universidades de Illinois e Purdue. As projeções iniciais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicam para a safra brasileira 2026/27 produção de 186 milhões de toneladas de soja e 139 milhões de toneladas de milho, volumes que, se confirmados, representam novos recordes históricos para as duas culturas no País. A produção de soja no Brasil avançou de cerca de 75 milhões de toneladas em 2011 para aproximadamente 180 milhões de toneladas em 2026. No milho, o volume cresceu de cerca de 57 milhões para 138 milhões de toneladas no mesmo período.
O crescimento médio combinado das duas culturas é estimado em cerca de 6,5% ao ano. Esse desempenho foi sustentado principalmente pela expansão de área. A área de soja mais que dobrou desde 2011, enquanto a área de milho aumentou cerca de 75% no mesmo intervalo. O padrão indica continuidade de investimento produtivo mesmo em períodos de preços deprimidos, como entre 2014 e 2016. A produtividade apresenta comportamento mais volátil. No período analisado, a produtividade da soja aumentou cerca de um terço e a do milho aproximadamente metade, porém com oscilações anuais relevantes. O estudo aponta que os desvios de produção em relação à tendência são majoritariamente explicados por fatores climáticos, e não por alterações estruturais de área. A continuidade da expansão da oferta brasileira reduz a probabilidade de suporte consistente aos preços internacionais, já que amplia a disponibilidade global de grãos.
Nesse contexto, a sustentação de preços dependeria mais de eventos climáticos adversos do que de redução deliberada de área plantada. O ambiente de custos segue pressionado, com fertilizantes em patamar elevado e alta dependência de importações. Em 2025, cerca de 88% do consumo brasileiro de fertilizantes foi atendido por compras externas, elevando a exposição do país a choques internacionais de preços e logística. A elevação da ureia associada ao conflito no Oriente Médio ocorreu em momento em que menos de 30% das aquisições de fertilizantes para a safra 2026/27 haviam sido concluídas, ampliando o impacto potencial sobre custos de produção. Mesmo com esse cenário, o efeito esperado não indica redução de área, mas possível limitação no nível de uso de insumos e compressão de margens. Para o milho de 2ª safra, o impacto tende a ser menor caso haja recuo nos preços da ureia no curto prazo. O crédito também aparece como fator restritivo, com juros próximos de 15% ao ano e maior seletividade de agentes financeiros.
A estrutura de financiamento passa a depender mais de bancos, tradings e fornecedores de insumos, o que pode desacelerar o ritmo de expansão, sem indicar retração da produção. O principal risco para 2027 está associado ao clima. Condições de El Niño já estão presentes e devem se intensificar durante o inverno do Hemisfério Norte de 2026/27, segundo o NOAA, por meio do Centro de Previsão Climática. O último episódio de intensidade semelhante ocorreu em 2015/16, quando o Brasil registrou perdas relevantes de produção. O fenômeno tende a reduzir chuvas na Região Centro-Oeste e no Norte, enquanto aumenta precipitações na Região Sul, gerando impactos regionais distintos sobre soja e milho. O efeito sobre o milho também é indireto, uma vez que eventual atraso no plantio da soja pode comprometer a janela da 2ª safra, ampliando o risco produtivo no ciclo seguinte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.