18/Jun/2026
O mercado brasileiro de milho deve continuar pressionado no curto prazo pelo avanço da colheita da 2ª safra de 2026, mas sem espaço para uma queda acentuada dos preços. Os bons resultados iniciais em Mato Grosso ajudam a compensar perdas em Goiás e mantêm a produção nacional em patamar elevado. A entrada da 2ª safra de 2026 ainda pode pesar sobre os preços, principalmente porque a colheita da safra de verão (1ª safra 2025/2026) também foi boa e os estoques seguem relativamente confortáveis, mesmo com aumento de demanda. Ainda assim, não há espaço para uma queda intensa.
O principal risco para prolongar a pressão é a exportação. A Argentina já começou a embarcar volumes elevados de milho, com março e abril acima de anos anteriores, e deve colher a maior safra de sua história. O milho argentino tende a competir diretamente com o produto brasileiro no segundo semestre, além da concorrência dos Estados Unidos. No mercado físico, o milho segue sem direção clara, com negociações ocorrendo de acordo com a necessidade de caixa dos produtores. O início dos trabalhos de campo começa a pressionar a sazonalidade da oferta, e os preços devem enfrentar períodos de baixa até o escoamento do pico de colheita.
No Paraná, a colheita da segunda safra deve ganhar tração nos próximos dias, mas o ritmo atual esbarra em fatores climáticos locais. Os dias frios estão fazendo o milho perder umidade de forma muito lenta no campo. Esse cenário eleva significativamente os custos com secagem para o produtor que decide colher de imediato, desencorajando as vendas diante da ausência de prêmios atraentes. Na região de Cascavel, as fábricas indicam entre R$ 57,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega imediata. Para exportação, as tradings indicam entre R$ 62,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá.
Em Mato Grosso, na região de Campo Verde, a entrada do cereal novo unificou as tabelas de preços no disponível. Tanto o milho spot remanescente quanto o da 2ª safra de 2026 são precificados por tradings e indústrias em R$ 44,00 por saca de 60 Kg FOB. O produtor local voltou a liberar lotes de forma pontual para abrir espaço nos armazéns, mas o ritmo está longe do visto semanas atrás, quando volumes expressivos foram negociados entre R$ 48,00 e R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB. Não deve haver alta nas cotações até o encerramento dos trabalhos de campo. Mas, no segundo semestre, pode haver uma retomada devido ao forte consumo das usinas de etanol locais e pela perspectiva de que o Irã, tradicional comprador do milho brasileiro, retome compras após a consolidação dos acordos geopolíticos no Oriente Médio.