29/Jul/2026
O mercado de milho atua pautado pela pressão de baixa nas cotações globais e pelo avanço dos trabalhos de campo no Brasil, desenhando um quadro de cautela para os negócios ao longo desta semana. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros operam em patamares mais baixos, mantendo o vencimento setembro de 2026 na casa de US$ 4,51 por bushel e o dezembro de 2026 cotado a US$ 4,73 por bushel. A movimentação reflete a queda dos preços do petróleo no mercado internacional, somado às previsões de temperaturas mais amenas nas áreas produtoras do cinturão do milho norte-americano, aliviando a percepção de risco sobre as lavouras dos Estados Unidos. Paralelamente, o avanço da colheita da 2ª safra de 2026 no País intensifica a oferta do cereal no mercado interno, testando a capacidade de armazenagem e a logística de escoamento nas praças do interior. Embora o aumento da oferta local e os custos de frete exerçam pressão sobre a rentabilidade do produtor, a demanda aquecida das usinas de etanol de milho e o fluxo de exportações, sobretudo pelos portos do Arco Norte, seguem segurando os preços em Reais.
Em São Paulo, na região de Campinas, o mercado físico reflete o ambiente de acomodação da Bolso de Chicago e o ritmo mais intenso no campo. Observa-se um descompasso entre as pontas de negociação no mercado interno, com os vendedores mantendo suas indicações entre R$ 62,00 e R$ 63,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto os compradores do setor de ração impõem um teto de R$ 60,00 por saca de 60 Kg FOB, travando novos contratos. No canal de exportação, as indicações no Porto de Santos situam-se em R$ 64,50 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em agosto, e entre R$ 65,50 e R$ 67,00 por saca de 60 Kg CIF, para setembro. Diante da indicação elevada de produtores, tradings não têm conseguido originar lotes na região. Os vendedores estão mais focados nas entregas de contratos pré-firmados em vez de abrir novas posições no disponível.
Em Mato Grosso, o ritmo das colheitadeiras após chuvas pontuais consolida um volume expressivo de grãos que chega aos armazéns. As cotações da 2ª safra de 2026 variam de acordo com a modalidade de entrega e pagamento. Em negociação via cooperativas, tradings indicam R$ 51,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em outubro e pagamento em 30 de novembro. As indústrias de etanol indicam R$ 49,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega setembro e liquidação em 30 de outubro. Quanto à 2ª safra de 2027, as indústrias indicam R$ 49,00 por saca de 60 Kg CIF, em operação via cooperativa, para entrega em agosto de 2027 e pagamento em 30 de setembro, desenhando um quadro de originação cadenciada.