03/Aug/2026
O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas-SP) registra apenas pequenas variações nos últimos dias, mas, no acumulado de julho, avançou quase 3%. De modo geral, os compradores seguem retraídos, acompanhando o avanço da colheita da 2ª safra de 2026, o que deve aumentar a disponibilidade do cereal, enquanto os vendedores se atentam aos trabalhos de campo. Players também estão atentos ao alto volume de produto nos armazéns de algumas regiões, como o Centro-Oeste, questionando se isso pode voltar a pressionar os valores. Porém, caso as adversidades climáticas nos Estados Unidos afetem a produção norte-americana, a demanda pelo produto nacional pode aumentar e elevar a paridade de exportação, o que aliviaria o armazenamento, visto que o ritmo de negócios nos portos poderia ser maior.
Por enquanto, os contratos futuros negociados na Bolsa de Chicago e na B3 apontam valores maiores que os atuais em 2027. Nesse cenário de cautela, as negociações no spot ou para entregas futuras seguem limitadas, atendendo às necessidades pontuais de compradores para abastecimento ou de vendedores, seja para realização de caixa ou liberação dos armazéns. O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra leve recuo de 0,38% nos últimos sete dias, cotado a R$ 65,30 por saca de 60 Kg. Vale ressaltar que o Indicador vem se mantendo no patamar de R$ 65,00 por saca de 60 Kg desde o dia 20 de julho. Apesar do avanço da colheita, as altas voltaram a ser verificadas em boa parte das regiões. Nos últimos sete dias, observa-se alta de 3,2% no mercado de balcão (preço recebido pelo produtor) e de 1% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
Na B3, os vencimentos acumulam queda nos últimos sete dias. Os contratos Set/26 e Nov/26 registram recuo de 1,4% e 0,1%, a R$ 69,78 por saca de 60 Kg e R$ 74,64 por saca de 60 Kg, respectivamente. Um movimento de sustentação nos valores pode vir da demanda internacional, apesar do fato de que os embarques nesta parcial de julho estão inferiores aos de julho de 2025. Considerando-se os primeiros 18 dias úteis de julho, o Brasil exportou apenas 1,34 milhão de toneladas de milho, abaixo das 2,43 milhões de toneladas registradas em julho/25, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Quanto aos preços nos portos, os preços são pressionados pelas quedas dos futuros e do dólar. Nos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), os valores apresentam baixa de 0,4% e 1,8% nos últimos sete dias.
A colheita da 2ª safra de 2026 vem avançando na maior parte das regiões, com destaque para Mato Grosso, que tem obtido bons resultados, favorecidos pelo clima. Em São Paulo e em Minas Gerais, porém, a umidade elevada das lavouras limita os avanços no campo. Até o dia 24 de julho, 58,3% da área nacional havia sido colhida, elevação de 8,5% em relação ao dia 17 de julho, mas ainda abaixo da média dos últimos cinco anos, de 65,9%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em Mato Grosso, os trabalhos de colheita atingiram 90,66% da área cultivada até o dia 24 de julho, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). Em Mato Grosso do Sul, até o dia 24 de julho, 24% do total foi colhido, segundo a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul).
Em Goiás, a colheita chegou a 35% no mesmo período, segundo a Conab. No Paraná, até o dia 27 de julho, 38% da área havia sido colhida, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), que também informou que a produção do milho da 2ª safra de 2026 deve recuar 5% frente ao ano passado, a 17 milhões de toneladas, devido aos efeitos da estiagem. Em Minas Gerais e em São Paulo, a Conab indicou que as áreas colhidas estavam em 27% e 10%, respectivamente, até o final da semana anterior. Nos Estados Unidos, os preços acumulam consideráveis quedas nos últimos sete dias, pressionados pelo retorno das chuvas em Iowa e Nebraska, que vinham registrando déficit hídrico, além da desvalorização do petróleo.
As baixas só não são mais intensas devido aos ataques no Mar Negro, que seguem afetando os embarques ucranianos, e à queda na qualidade das lavouras norte-americanas. Na Bolsa de Chicago, os vencimentos Set/26 e Dez/26 apresentam baixa de 4% nos últimos sete dias, a US$ 4,45 por bushel e a US$ 4,68 por bushel, nesta ordem. De acordo com o relatório semanal Crop Progress divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), até o dia 26 de julho, 63% da safra de milho estava em condição entre boa e excelente, recuo de 4% no comparativo semanal. Na Argentina, a colheita alcançou 69,8% da área nacional até o dia 30, segundo dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.