14/Sep/2026
Segundo o Itaú BBA, a expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso pode exigir investimentos de R$ 7,6 bilhões a R$ 14,3 bilhões para ampliar as florestas energéticas destinadas ao fornecimento de biomassa às usinas. A capacidade instalada de produção de etanol de milho no Brasil deve aumentar de 10,9 bilhões de litros em 2025 para 25,3 bilhões de litros em 2030. Em Mato Grosso, a produção projetada é de crescimento de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros no mesmo período. Para atender à capacidade prevista até 2030, o Estado deverá demandar aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto, ante uma área estimada atualmente em 165 mil hectares. Isso representa a necessidade de expansão de 218 mil hectares de florestas energéticas. No Brasil, o estudo estima que uma capacidade de produção de 13 bilhões de litros de etanol de milho até o fim de 2026 exigiria cerca de 35 milhões de metros cúbicos de biomassa de eucalipto caso essa fosse a única fonte de energia utilizada.
Para atender a essa demanda, seria necessário um estoque florestal contínuo próximo de 440 mil hectares plantados. A expansão da oferta de biomassa também ganha relevância diante das mudanças regulatórias em Mato Grosso. Regras estabelecidas entre o governo estadual e o Ministério Público em junho de 2026 definiram diretrizes para a eliminação gradual do uso de biomassa proveniente de vegetação nativa por grandes consumidores. As usinas já instaladas poderão utilizar até 40% de biomassa nativa até 2034, com eliminação total desse insumo a partir de 2035. Para novos empreendimentos, será necessária a comprovação do uso de fontes sustentáveis. Nesse cenário, a disponibilidade de biomassa passa a ser um componente relevante da viabilidade econômica e ambiental dos projetos de etanol de milho, além de uma questão operacional. A antecipação da estratégia de suprimento energético pode proporcionar maior previsibilidade de custos, reduzir a exposição a riscos regulatórios e ampliar as condições para aproveitamento de oportunidades relacionadas à agenda de sustentabilidade.
Para os produtores rurais, o cultivo de eucalipto destinado à produção de biomassa apresenta potencial de taxa interna de retorno (TIR) próxima de 17% ao ano e valor presente líquido (VPL) positivo de R$ 4,3 mil por hectare. Em um ciclo de dois cortes ao longo de 13 anos, a receita acumulada estimada alcança R$ 104 mil por hectare, enquanto o lucro total é projetado em R$ 54 mil por hectare. O retorno corresponde, em média, a cerca de 30 sacas de soja por hectare por ano. Mato Grosso apresenta condições consideradas favoráveis para a expansão do cultivo de eucalipto destinado à biomassa, combinando disponibilidade de terras, regime adequado de chuvas e proximidade dos principais polos consumidores. Nesse contexto, a atividade pode representar uma alternativa de diversificação para áreas com limitações para o cultivo de culturas anuais, ao mesmo tempo em que contribui para estruturar a oferta de energia necessária ao crescimento da indústria de etanol de milho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.