14/Sep/2026
Os preços do milho voltaram a cair em parte das regiões nos últimos dias, visto que parte dos compradores brasileiros está retraída da comercialização. Esses agentes indicam que as compras realizadas anteriormente têm sido suficientes para a utilização no curto prazo. No mercado internacional, novas estimativas reforçam o impacto negativo do clima na produção dos Estados Unidos. Parte dos produtores domésticos, por sua vez, limita a oferta, atenta às condições climáticas nos próximos meses e à alta na paridade de exportação. Eles também estão focados nas atividades de campo, como a finalização da colheita da segunda safra 2025/26 e a semeadura da safra verão 2026/27. Neste cenário, os preços recuaram em parte das regiões, mas a oferta mais restrita limitou as quedas. O Indicador do milho ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 1,2% nos últimos sete dias, cotado a R$ 70,19 por saca de 60 Kg.
As baixas também são observadas em importantes regiões produtoras, como Rio Verde (GO), Chapadão do Sul (MS) e Sorriso (MT), de 1,8%, 0,46% e 0,23%, respectivamente, em sete dias. No entanto, em outras regiões, como no Paraná, os produtores limitaram as negociações, sustentando os valores. Nos últimos sete dias, as cotações têm alta de 0,7% no oeste e 0,96% no norte do Paraná. Nos últimos sete dias, a alta é de 0,6% no mercado de balcão (valor recebido pelo produtor) e de 1% no mercado de lotes (negociação entre empresas). Os vencimentos estão pressionados na B3, acompanhando a baixa no mercado internacional. Nos últimos sete dias, o contrato Set/26 registra recuo de 1,4%, para R$ 70,88 por saca de 60 Kg. Os vencimentos Nov/26 e Jan/27 apresentam retrações de 1,5% e 1,3% no mesmo período, passando para R$ 76,83 por saca de 60 Kg e R$ 80,34 por saca de 60 Kg. O ritmo de embarques segue abaixo do verificado na temporada anterior.
Nos primeiros quatro dias úteis deste mês, o Brasil exportou 1,12 milhão de toneladas de milho, com média diária de 281,64 mil toneladas, 18% inferior à de setembro de 2025. A colheita da 2ª safra de 2026 ainda precisa ser finalizada em São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná e Goiás. A média nacional chegou a 96,6% até o dia 4 de setembro, avanço semanal de 2,5% e semelhante à média das últimas cinco safras, de 96,5%, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Para a safra de verão (1ª safra 2026/2027), a Conab indica que a semeadura chegou a 11% da área nacional até o dia 6 de setembro, concentrando-se na Região Sul do Brasil. No Paraná, a semeadura avançou nos dias de estiagem, e o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab) aponta que 34% das lavouras já foram semeadas, acima dos 18% da semana anterior e dos 24% do mesmo período da safra anterior. No Rio Grande do Sul, 54% da área estimada havia sido semeada até o dia 10 de setembro, segundo a Emater-RS.
A semeadura foi favorecida inicialmente pelas boas condições climáticas; no entanto, geadas registradas no final da semana anterior podem ter afetado a produtividade das lavouras em algumas regiões, como Ijuí. Em Santa Catarina, o percentual semeado é de 6,5% até o dia 4 de setembro, segundo a Conab. Nos Estados Unidos, os preços estão em baixa. O início da colheita no país e a maior intenção de vendas dos agricultores pressionaram os vencimentos. Porém, a queda foi contida pela possível redução na produção da Europa e pelos conflitos no Mar Negro. Além disso, os produtores dos Estados Unidos estão preocupados com os impactos do clima adverso na produção. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontou que a produção nos Estados Unidos deve ser de 401,33 milhões de toneladas, abaixo das 406,75 milhões de toneladas estimadas em agosto e ainda inferior às 432,34 milhões produzidas em 2025/26.
Na Bolsa de Chicago, o vencimento Set/26 registra queda de 0,24%, a US$ 5,14 por bushel e o Dez/26 tem recuo de 1,3%, a US$ 5,33 por bushel. Para a produção mundial 2026/27, o USDA projetou redução de 0,6% entre os relatórios de agosto e setembro, com cortes na Índia, na Rússia e nos Estados Unidos. No agregado, a produção mundial será de 1,29 bilhão de toneladas, queda de 3% em relação à temporada 2025/26. O consumo mundial se manteve em 1,32 bilhão de toneladas, levando à redução dos estoques finais, atualmente estimados em 272,10 milhões de toneladas, contra 274,66 milhões no relatório de agosto e abaixo dos 301,38 milhões de 2025/26. Com isso, a relação estoque/consumo deve ser de 20,7%, a menor desde 2012/13, quando havia sido de 16,5%. A colheita nos Estados Unidos somava 5% da área até o dia 6 de setembro, 1% acima do observado no mesmo período de 2025 e 2% acima da média dos últimos cinco anos, segundo relatório do USDA. Na Argentina, a colheita da safra 2024/25 alcançou 96,9% da área nacional, enquanto a semeadura da temporada 2026/27 alcançou, até o dia 10 de setembro, 4% da área, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.