14/Oct/2026
O Brasil ampliou expressivamente suas exportações de sorgo para a China em 2026, mas a continuidade desse avanço dependerá da capacidade de absorção do mercado asiático, que apresenta elevada disponibilidade de grãos destinados à alimentação animal. Relatório divulgado pela StoneX aponta estoques combinados de sorgo e cevada próximos de 2,4 milhões de toneladas nos portos do sul da China, volume recorde segundo a empresa. A combinação de estoques elevados, oferta doméstica confortável de milho e dificuldades de rentabilidade na suinocultura chinesa pode limitar a demanda por matérias-primas utilizadas na fabricação de rações. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 790,8 mil toneladas de sorgo entre janeiro e setembro de 2026, ante apenas 105 toneladas no mesmo período de 2025. A China absorveu 755,6 mil toneladas, equivalentes a 95,5% dos embarques brasileiros.
O avanço consolidou o país asiático como principal destino do sorgo nacional, mas também aumentou a exposição dos exportadores brasileiros às condições de demanda e às decisões de compra chinesas. A expansão das vendas ocorre em um cenário de maior disponibilidade de matérias-primas substitutas para a produção de rações. Além dos estoques elevados de sorgo e cevada nos portos, a StoneX identifica oferta confortável de milho no mercado doméstico chinês e dificuldades de rentabilidade entre os produtores de suínos. Esses fatores podem restringir a recuperação do consumo de grãos destinados à alimentação animal e reduzir a necessidade de importações. As perspectivas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reforçam esse cenário. Em relatório divulgado no início de outubro, o escritório do órgão em Pequim projetou redução das importações chinesas de sorgo e cevada na temporada 2026/27, diante da disponibilidade interna de grãos e das perspectivas para a demanda por ração.
A projeção sinaliza um ambiente potencialmente mais restritivo para os fornecedores internacionais, embora não determine, isoladamente, o desempenho das exportações brasileiras. O USDA também reconheceu a expansão das exportações brasileiras de sorgo e de grãos secos de destilaria (DDGS) para a China, movimento que amplia a concorrência enfrentada pelos fornecedores dos Estados Unidos. Dessa forma, uma redução das importações totais chinesas não implica necessariamente queda proporcional das compras de sorgo brasileiro. O Brasil poderá ampliar sua participação relativa caso continue conquistando espaço de outros fornecedores, mesmo que o volume total adquirido pelo país asiático diminua. No curto prazo, a programação de embarques indica continuidade do crescimento das exportações brasileiras. Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o line-up de outubro prevê 1,44 milhão de toneladas de sorgo destinadas à exportação. O volume corresponde a embarques programados e está sujeito a alterações, não devendo ser confundido com as exportações efetivamente realizadas e registradas pela Secex.
A expansão do fluxo também impulsiona novas operações logísticas. A VLI iniciou nesta semana a movimentação ferroviária de sorgo, com cargas destinadas à China e à África. A empresa informou ter movimentado mais de 250 mil toneladas até setembro e possuir aproximadamente 800 mil toneladas negociadas para transporte. A ampliação da infraestrutura logística e dos canais comerciais contribui para viabilizar o escoamento da produção e sustentar o acesso a novos mercados. A entrada da China alterou a dinâmica do comércio exterior brasileiro de sorgo em 2026, criando uma oportunidade de diversificação e expansão dos embarques. Entretanto, a concentração de 95,5% das exportações no mercado chinês entre janeiro e setembro aumenta a importância do acompanhamento dos estoques, da competitividade frente ao milho e à cevada e das condições econômicas da cadeia de produção de rações. O desafio para o setor será consolidar os canais comerciais e a estrutura logística desenvolvidos neste ano, mantendo a competitividade brasileira em um cenário de possíveis reduções das importações chinesas na temporada 2026/27. Fonte: Notícias Agrícolas. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.