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14/Oct/2026

Etanol de Milho amplia consumo interno do grão

Segundo a AgResource Brasil, o aumento do consumo interno de milho pela indústria de etanol no Brasil deverá reduzir a disponibilidade do cereal para exportação e deixar os estoques nacionais mais apertados no primeiro trimestre de 2027. A expansão da demanda das usinas altera a dinâmica de comercialização do grão, ao ampliar a concorrência entre exportadores e consumidores domésticos e fortalecer a influência da indústria de biocombustíveis sobre a formação dos preços. Estimativas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o Brasil destina 21 milhões de toneladas de milho à produção de etanol. O volume é 2,8 vezes superior ao registrado cinco anos atrás e equivale a mais de 22% do consumo nacional do cereal. O crescimento reflete a ampliação da capacidade industrial de produção de biocombustíveis à base de milho e a consolidação desse segmento como importante fonte de demanda interna.

A expansão aproxima o mercado brasileiro do modelo observado nos Estados Unidos, onde a indústria de etanol consome cerca de 150 milhões de toneladas de milho por ano, correspondentes a mais de 40% do consumo doméstico. Nesse cenário, a demanda das usinas passa a competir diretamente com outros destinos do cereal, reduzindo a parcela potencialmente disponível para o comércio internacional. No Brasil, o avanço dessa utilização industrial tende a modificar o equilíbrio entre oferta e demanda, especialmente nos períodos em que os estoques estão mais ajustados. Com uma parcela crescente da produção direcionada ao processamento interno, a disponibilidade para exportação poderá diminuir nos próximos anos, enquanto as usinas de etanol ganham relevância na disputa pelo grão nas regiões produtoras. A mudança também pode influenciar a formação regional dos preços.

Além da demanda dos compradores voltados à exportação, os produtores passam a considerar a presença e a capacidade de compra das usinas próximas às propriedades. A concorrência entre esses mercados poderá alterar as condições de comercialização, os diferenciais regionais e a remuneração do milho, conforme a disponibilidade local e a intensidade da demanda industrial. A perspectiva de estoques mais apertados no primeiro trimestre de 2027 reforça a importância do acompanhamento da produção, do consumo das usinas e do ritmo dos embarques. Caso a demanda por etanol continue crescendo em ritmo acelerado, o Brasil poderá ter menor excedente exportável e maior integração entre os mercados de milho e biocombustíveis, com efeitos sobre o abastecimento doméstico e a participação brasileira no comércio internacional do cereal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.