14/Oct/2026
Segundo o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), os produtores de Mato Grosso comercializaram 80,23% da safra 2025/26 de milho até o fechamento de setembro, avanço de 5,60% no mês. Apesar do progresso das negociações, o mercado registrou queda nas cotações, em um cenário de menor atuação compradora das indústrias e maior concorrência nas exportações. O preço médio do cereal no Estado recuou 7,84% em relação a agosto, para R$ 47,57 por saca de 60 Kg. O percentual comercializado ficou 2,64 pontos porcentuais acima do registrado em igual período da safra anterior. As negociações avançaram gradualmente, enquanto as indústrias reduziram a participação nas compras diante da menor necessidade de recomposição de estoques no curto prazo. A combinação entre demanda doméstica menos ativa e pressão sobre os preços limitou o potencial de valorização do cereal. No mercado externo, a concorrência de outros fornecedores reduziu a competitividade do milho brasileiro.
Mato Grosso exportou 2,85 milhões de toneladas em setembro, volume 32,07% inferior ao registrado no mesmo mês de 2025. No período de julho a setembro, os embarques somaram 7,61 milhões de toneladas, recuo de 21,44% na comparação anual. A oferta abundante e os estoques elevados nos Estados Unidos pressionaram as cotações internacionais e aumentaram a competitividade do cereal norte-americano. Na Argentina, a expectativa de uma safra recorde, combinada à redução dos impostos sobre as exportações, favoreceu a comercialização externa. Esse cenário ampliou a disputa por mercados importadores e dificultou o escoamento do milho. Para a safra 2026/27, a comercialização antecipada em Mato Grosso alcançou 19,79% da produção projetada até o fechamento de setembro. O índice avançou 3,83% em relação a agosto e ficou 1,02% acima do registrado no mesmo período do ciclo anterior.
O preço médio negociado para a próxima temporada caiu 2,62% no mês, para R$ 48,69 por saca de 60 Kg. O Imea relaciona a cautela dos produtores nas vendas antecipadas às dificuldades para ampliar os investimentos e ao ritmo de aquisição de insumos inferior ao observado em 2025. A combinação entre preços mais baixos, restrições financeiras e incertezas sobre a rentabilidade tende a influenciar as decisões comerciais e o planejamento produtivo para o próximo ciclo. A principal janela de escoamento do milho mato-grossense concentra-se até janeiro de 2027, antes do avanço da nova safra de soja e do aumento da disputa pela infraestrutura logística. Caso os embarques não apresentem recuperação nesse período, Mato Grosso poderá encerrar o ciclo 2025/26 com estoques mais elevados, ampliando a pressão sobre os preços e a necessidade de comercialização do cereal remanescente. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.