14/Oct/2026
As projeções locais de produção de milho do Brasil e da Argentina para a safra 2026/27, somadas, estão cerca de 20 milhões de toneladas acima das estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto o USDA mantém a produção conjunta dos dois países em 194 milhões de toneladas, as estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e da Bolsa de Cereais de Buenos Aires apontam para aproximadamente 214 milhões de toneladas. A diferença deverá permanecer no radar do mercado à medida que o plantio sul-americano avance e novas informações sobre as condições das lavouras sejam incorporadas aos balanços globais. No relatório mensal de oferta e demanda de outubro (Wasde), o USDA manteve a estimativa de produção brasileira em 139 milhões de toneladas e a argentina em 55 milhões de toneladas.
Em contrapartida, a Conab projeta uma safra brasileira de 148 milhões de toneladas, aumento de 2,8% em relação a 2025/26, enquanto a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima a produção argentina em 66 milhões de toneladas, avanço de 3,1% ante o ciclo anterior. A ausência de revisões do USDA para a América do Sul contrasta com as perspectivas locais de expansão da oferta. No Brasil, a projeção da Conab considera o aumento da área cultivada nas três safras de milho. Na safra de verão (1ª safra 2026/2027), a área deverá crescer 10,7%, para 4,54 milhões de hectares, com produção estimada em 32,1 milhões de toneladas, o maior volume em 13 anos. Na 2ª safra de 2027, a superfície plantada poderá aumentar 3,7%, para 18,48 milhões de hectares, com produção prevista de 113,2 milhões de toneladas. A 3ª safra de 2027 deverá acrescentar aproximadamente 2,6 milhões de toneladas à oferta nacional.
O maior interesse pelo cereal está associado à expansão da demanda para alimentação animal e, principalmente, para a produção de etanol de milho. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires estima uma produção de 66 milhões de toneladas em uma área de 8,4 milhões de hectares, patamar recorde para a cultura no país. O plantio da safra 2026/27 já avançava no início de outubro, concentrado sobretudo no centro-norte da província de Santa Fé, enquanto a colheita da temporada anterior, estimada em 64 milhões de toneladas, se aproximava do encerramento. Apesar das perspectivas de aumento da produção sul-americana, ainda há incertezas relevantes sobre os resultados finais.
O fenômeno El Niño permanece como uma variável importante para o desenvolvimento das lavouras nos próximos meses, e as estimativas poderão ser ajustadas conforme evoluam as condições climáticas, o estabelecimento das plantas e o avanço das operações de campo. Como a colheita ainda está distante, a diferença entre as projeções regionais e as do USDA não permite concluir, neste momento, qual estimativa estará mais próxima do resultado efetivo. A divergência entre os balanços sul-americanos também ocorre após uma revisão expressiva da oferta norte-americana. No relatório de outubro, o USDA elevou a produtividade do milho dos Estados Unidos de 11,2 para 11,37 toneladas por hectare, e aumentou a produção para 407,28 milhões de toneladas. Os estoques finais foram revisados de 39,79 milhões para 46,97 milhões de toneladas.
As revisões superaram as expectativas do mercado e ampliaram a percepção de disponibilidade do cereal nos Estados Unidos. A reação combinada ao relatório de estoques divulgado em 30 de setembro e ao Wasde de outubro levou os contratos futuros de milho norte-americano a acumular queda de aproximadamente US$ 0,40 por bushel. Nesse contexto, o avanço da colheita nos Estados Unidos e do plantio na América do Sul deverá fornecer novos elementos para as próximas revisões dos balanços globais. A confirmação de uma safra sul-americana próxima das estimativas locais poderá alterar as perspectivas de oferta mundial, enquanto eventuais perdas climáticas ou revisões para baixo poderão reduzir a diferença em relação aos números do USDA. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.