15/Oct/2026
Segundo o Itaú BBA, o aumento da produção de milho nos Estados Unidos deve intensificar a concorrência no mercado internacional e ampliar os desafios para os exportadores brasileiros. Com base nos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produtividade média norte-americana foi revisada, o que elevou a estimativa de produção em 5,9 milhões de toneladas, para 407,28 milhões de toneladas. A maior disponibilidade de milho também se refletiu no balanço de estoques dos Estados Unidos. A estimativa de estoque inicial foi elevada em 4,4 milhões de toneladas, para 53,22 milhões de toneladas, enquanto a projeção de estoque final aumentou de 39,79 milhões de toneladas em setembro para 46,97 milhões de toneladas em outubro. Com isso, a relação entre estoques e consumo passou de 9,7% para 11,3%, indicando maior disponibilidade interna e potencial para ampliar a oferta destinada ao mercado internacional.
No balanço global, o USDA elevou a estimativa dos estoques finais em 8,3 milhões de toneladas, para 280,44 milhões de toneladas, apesar de reduzir as projeções de produção da União Europeia, das Filipinas e do México. Na França, a colheita foi estimada em volume 38% inferior ao da temporada anterior. A Argentina, por sua vez, apresentou aumento nos estoques, contribuindo para o quadro de maior disponibilidade global do cereal. Para o agronegócio brasileiro, a ampliação da oferta norte-americana tende a acirrar a disputa pelos principais mercados importadores, especialmente se os Estados Unidos mantiverem preços competitivos. A capacidade de absorção da demanda global será determinante para o equilíbrio entre produção e consumo. Caso as compras internacionais não acompanhem a expansão da oferta, os estoques norte-americanos poderão crescer ainda mais, aumentando a pressão sobre as cotações e a competitividade dos fornecedores.
O mercado também acompanha o ritmo da colheita nos Estados Unidos, que alcançou 23% da área até 6 de outubro, abaixo da média de 27% observada entre 2021 e 2025. Além do avanço dos trabalhos no campo, o fluxo das vendas externas será decisivo para avaliar a capacidade de escoamento da safra. Uma comercialização internacional menos intensa poderá ampliar a disponibilidade do cereal no mercado norte-americano e reforçar a concorrência com o produto brasileiro. Em setembro, o contrato de primeiro vencimento do milho na Bolsa de Chicago registrou preço médio de US$ 5,21 por bushel, alta de 11,2% em relação a agosto. A valorização refletiu a redução da estimativa de produção no relatório do USDA de setembro e as interrupções logísticas na Ucrânia e no Mar Negro. Esse movimento contribuiu para elevar os preços no mercado brasileiro. Em Sorriso (MT), o milho avançou 14% em setembro, para R$ 54,00 por saca de 60 Kg. A valorização foi influenciada pela alta na Bolsa de Chicago, pelo câmbio e pelo ritmo mais lento de comercialização interna.
A evolução das cotações domésticas, contudo, dependerá também do avanço da colheita norte-americana, da demanda externa e da capacidade do Brasil de manter competitividade diante da maior oferta dos Estados Unidos. No cenário agrícola brasileiro, as condições climáticas representam outro fator de atenção. Atrasos no plantio da soja ou uma redução antecipada das chuvas durante o outono podem comprometer a janela ideal de semeadura do milho 2ª safra de 2027 no Centro-Oeste. Na Região Sul, as precipitações recentes mantêm a umidade do solo em níveis adequados para a implantação e o desenvolvimento inicial das lavouras da safra de verão (1ª safra 2026/2027). O mercado de milho combina, assim, o risco de maior pressão competitiva externa com incertezas climáticas sobre a produção brasileira. A expansão da oferta norte-americana e o crescimento dos estoques globais podem dificultar o desempenho das exportações do Brasil, enquanto o calendário de plantio e a distribuição das chuvas serão determinantes para o potencial produtivo nacional na safra 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.