16/Oct/2026
O milho brasileiro deve seguir pressionado no curto prazo, contrariando a tendência de alta nesta época do ano. A queda na Bolsa de Chicago e o recuo do dólar reduziram os preços que os exportadores pagam pelo cereal no País. Com menos concorrência pelos lotes, os consumidores domésticos ficam mais confortáveis para negociar valores menores. Embora a oferta e a demanda internas tenham maior peso na formação das cotações brasileiras, a perda de competitividade da exportação reforça a pressão. A ligação entre os dois mercados ocorre pela paridade de exportação, referência calculada a partir do preço internacional, do câmbio e dos custos para levar o grão ao exterior. Quando a Bolsa de Chicago e o dólar caem, diminui o valor em Reais que o exportador pode oferecer no Brasil. Esse movimento agravou as dificuldades que as empresas já encontravam para comprar milho.
Sem uma participação mais ativa das exportadoras, a disputa com as indústrias pelo cereal perde força. No exterior, a entrada da colheita norte-americana encontra uma demanda menos disposta a comprar, após a alta dos preços. O consumo de milho reage mais às mudanças de cotação do que o de soja, o que torna o cereal mais vulnerável à pressão da oferta nova. A combinação de safra elevada, avanço da colheita e compradores mais retraídos mantém a pressão sobre os contratos americanos, com reflexos nas referências brasileiras. Para as próximas semanas, o câmbio será decisivo para a intensidade desse movimento no Brasil, especialmente diante das eleições. Por enquanto, o comportamento é diferente do habitual para o período, quando os preços domésticos normalmente encontram espaço para subir. Está acontecendo uma queda fora da sazonalidade.
Em São Paulo, na região de Campinas, a distância entre as pontas negociadoras no spot é grande. Os vendedores indicam entre R$ 63,00 e R$ 64,00 por saca de 60 Kg FOB, enquanto os compradores indicam entre R$ 57,00 e R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB. Para exportação, as indicações de tradings para entrega no Porto de Santos estão estáveis em R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF, mas sem poder de atração. Quanto à 2ª safra de 2027, tradings indicam até R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos, para entrega em agosto e pagamento em setembro, mas os produtores evitam fixações antecipadas por receio de atrasos no plantio. Em Mato Grosso do Sul, na região de Dourados, as vendas são pontuais, para necessidade de caixa. Fábricas de ração e confinamento adquirem o cereal entre R$ 51,00 e R$ 53,00 por saca de 60 Kg FOB. As usinas de etanol indicam R$ 52,00 por saca de 60 Kg FOB ou R$ 54,00 por saca de 60 Kg CIF, para embarque ou entrega em novembro e pagamento em meados de dezembro.