19/Oct/2026
A queda recente dos preços dos grãos nos Estados Unidos começa a estimular o retorno dos compradores ao mercado, com sinais ainda iniciais no milho. Os embarques de milho norte-americano iniciaram a temporada 2026/2027 em ritmo recorde, mas as vendas contratadas e ainda pendentes de embarque permanecem quase 33% abaixo das registradas no mesmo período do ano anterior, configurando o principal ponto de atenção para o balanço norte-americano. No relatório de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a projeção de exportações de milho dos Estados Unidos para 83,82 milhões de toneladas. Para sustentar esse volume, será necessário acelerar as novas vendas, especialmente após a recente queda das cotações.
A principal questão é se os preços mais baixos serão suficientes para atrair os importadores que vinham adiando as compras. Os primeiros sinais de recuperação apareceram após as quedas provocadas pelos relatórios do USDA divulgados em 30 de setembro e em outubro. Na semana encerrada em 8 de outubro, as vendas norte-americanas de milho superaram 1,12 milhão de toneladas, o maior volume em cinco semanas. O Japão também retornou ao mercado com uma compra-relâmpago de cerca de 127 mil toneladas. Além disso, foram registrados negócios recentes com compradores da Coreia do Sul e de Taiwan. Embora os volumes ainda não sejam expressivos, essas operações constituem um sinal de que alguns importadores começaram a aproveitar as cotações mais baixas.
O próximo relatório semanal de exportações dos Estados Unidos será especialmente importante para avaliar a consistência dessa recuperação, pois incluirá os negócios realizados após a queda dos preços provocada pelo relatório de outubro do Wasde, o balanço mundial de oferta e demanda agrícola do USDA. Os dados permitirão verificar se o movimento recente corresponde apenas a compras pontuais ou ao início de uma retomada mais consistente da demanda. Fatores externos também podem favorecer a competitividade do milho norte-americano ao longo da temporada 2026/2027. Entre eles está o aumento do consumo de milho para a produção de etanol no Brasil. Uma parcela maior da produção brasileira direcionada ao mercado doméstico reduz a disponibilidade para exportação e pode melhorar a posição dos Estados Unidos no comércio internacional.
As restrições aos embarques de grãos pelo Mar Negro e a expansão dos biocombustíveis em países dependentes da importação de energia também podem modificar os fluxos internacionais de milho. Nesse contexto, a evolução da demanda ao longo da temporada 2026/2027 permanece como um dos principais fatores para o balanço do cereal norte-americano. Entre os mercados que precisam ampliar as compras estão México, principal destino do milho dos Estados Unidos, e Espanha. As vendas para ambos estão significativamente atrasadas, e a reação desses compradores à recente redução das cotações será um dos indicadores relevantes para acompanhar nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.