19/Oct/2026
Os contratos futuros de milho fecharam em baixa na Bolsa de Chicago na sexta-feira (16/10), acompanhando o recuo do trigo e refletindo a expectativa de condições climáticas favoráveis ao avanço da colheita nos Estados Unidos. Os dois grãos tendem a apresentar movimentos semelhantes de preços por serem substitutos diretos na composição de rações animais. A perspectiva de uma produção norte-americana superior a 400 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo também contribuiu para pressionar as cotações. Na semana anterior, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) estimou a safra do país em 407,26 milhões de toneladas. O contrato com vencimento em dezembro recuou 3,75 cents (0,78%), e fechou a US$ 4,74 por bushel, acumulando desvalorização de 1,15% na semana passada.
A perspectiva de ampla oferta e a ausência de fatores capazes de sustentar uma recuperação dos preços têm favorecido a liquidação de posições compradas por fundos de investimento. Mesmo com o mercado em território considerado sobrevendido, novas vendas de contratos ainda podem ocorrer. Nesse cenário, a recuperação das cotações depende do surgimento de notícias que alterem as expectativas de oferta e demanda. No Brasil, a perspectiva de uma safra volumosa também pesou sobre o mercado internacional. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área total destinada ao milho no País deve crescer 4,9% em relação à safra 2025/2026, alcançando 23,7 milhões de hectares. A produção nacional está estimada em 148 milhões de toneladas, aumento de 2,4% ante o ciclo anterior. A expectativa de expansão da oferta brasileira reforça a concorrência no mercado global e limita o potencial de valorização dos contratos.
As perdas foram parcialmente contidas pelo desempenho das vendas externas norte-americanas. O USDA informou que os exportadores dos Estados Unidos comercializaram 1,122 milhão de toneladas de milho da safra 2026/2027 na semana encerrada em 8 de outubro. O volume aumentou 46% em relação à semana anterior e 42% na comparação com a média das quatro semanas anteriores. O resultado ficou próximo do limite superior das estimativas dos analistas, que variavam de 600 mil a 1,2 milhão de toneladas. Além disso, o USDA registrou uma venda de 127 mil toneladas de milho norte-americano para o Japão. O desempenho das vendas externas indica demanda consistente pelo produto dos Estados Unidos e ajudou a limitar a pressão negativa sobre as cotações, embora não tenha sido suficiente para reverter a tendência de baixa diante das perspectivas de ampla oferta nos principais países produtores.