20/Oct/2026
Segundo o Rabobank, o milho deve ser a cultura mais pressionada pelo aumento dos custos agrícolas em 2027, principalmente em razão do encarecimento dos fertilizantes. No Brasil, o custo operacional deve aumentar 11%, enquanto na Argentina a alta projetada chega a 15%. Nos Estados Unidos, onde as despesas operacionais devem permanecer praticamente estáveis, a margem operacional tende a recuar para cerca de 3%. Para o Hemisfério Sul, as estimativas de 2027 correspondem à safra 2026/27. O estudo considera os custos operacionais, incluindo sementes, fertilizantes, defensivos e combustível, mas exclui despesas com terra, juros, outros custos financeiros e subsídios. No Brasil, o custo operacional do milho deve passar de US$ 739,00 para US$ 820,00 por hectare. As despesas com fertilizantes devem aumentar 10%, de US$ 226,00 para US$ 248,00 por hectare, enquanto os gastos com defensivos tendem a avançar 35%, de US$ 96,00 para US$ 131,00 por hectare.
O encarecimento dos insumos, sobretudo dos fertilizantes, coloca a cultura entre as mais suscetíveis à pressão sobre os custos de produção. A ureia, fertilizante nitrogenado, está entre os principais fatores de preocupação. O conflito no Oriente Médio sustenta as cotações do produto e amplia a incerteza sobre os fluxos de exportação de importantes fornecedores da região. A China voltou ao mercado exportador de fertilizantes nitrogenados, oferecendo algum alívio à oferta mundial, mas esse movimento não deve compensar integralmente as interrupções. No segmento de fertilizantes fosfatados, a ausência chinesa nas exportações, os preços mais elevados do enxofre e a oferta global restrita continuam sustentando as cotações. Na Argentina, a pressão sobre os custos é ainda mais intensa. Os gastos com fertilizantes para o milho devem saltar de US$ 84,00 para US$ 255,00 por hectare, aumento de 205%. O custo operacional total está projetado para avançar de US$ 1.469,00 para US$ 1.688,00 por hectare, alta de 15%. Em sentido contrário, as despesas com defensivos devem diminuir 8%, de US$ 77,00 para US$ 71,00 por hectare. Com o aumento dos custos, a margem operacional do milho argentino deve recuar de 26% para 23%.
A tributação também permanece como um entrave estrutural à rentabilidade agrícola. Segundo a Fundação Agropecuária para o Desenvolvimento da Argentina (FADA), os impostos absorvem 53,8% da renda agrícola da cultura. Nos Estados Unidos, o custo operacional do milho deve apresentar variação limitada, passando de US$ 1.824,00 para US$ 1.848,00 por hectare. A margem, entretanto, já se encontra em nível estreito e deve cair pelo segundo ano consecutivo, de 7% em 2026 para aproximadamente 3% em 2027. Quando todos os custos de produção são considerados, o resultado dos produtores norte-americanos de milho seria negativo. Programas federais de apoio ajudam a amortecer parte da pressão, enquanto a recente valorização do cereal pode proporcionar margens superiores às calculadas no estudo. Apesar do aumento projetado das despesas, as margens operacionais do milho no Brasil são consideradas relativamente saudáveis, e permanecem acima da média histórica.
O retorno combinado das culturas de soja e milho continua contribuindo para sustentar a rentabilidade operacional das propriedades rurais brasileiras. O cenário de preços, contudo, não oferece garantia de alívio duradouro. Embora a produção mundial de grãos e oleaginosas esteja projetada no segundo maior nível da história, a redução da relação entre estoques e consumo do milho, o fenômeno El Niño, associado ao aquecimento das águas do Pacífico e a alterações nos padrões de chuva e temperatura, e as tensões geopolíticas ampliam os riscos de oscilações nas cotações. Eventuais riscos de oferta podem provocar altas de preços de curta duração, sem necessariamente estabelecer uma trajetória sustentada de valorização. Nos próximos seis a 12 meses, as cotações podem testar os limites superiores das faixas de negociação recentes, abrindo oportunidades para os produtores fixarem preços e protegerem margens em níveis próximos ou superiores ao ponto de equilíbrio. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.