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21/Oct/2026

Preço do milho estável com comercialização parada

A expectativa de captar recursos mais baratos no exterior após as eleições mantém grandes compradores de milho cautelosos no Brasil, enquanto os produtores ainda carregam volumes à espera de preços mais altos. Empresas dos setores de ração e etanol aguardam o resultado eleitoral para definir compras destinadas à formação de estoques. O custo do crédito pesa na decisão de comprar milho antecipadamente. As empresas precisam financiar o intervalo entre a aquisição do cereal e seu uso na indústria ou embarque ao exterior. Com juros menores, torna-se menos oneroso manter o produto armazenado, o que poderia estimular negócios após a eleição. As usinas de etanol, que precisam garantir matéria-prima para suas operações, aguardam linhas mais baratas para ampliar estoques. A mesma perspectiva pode favorecer compras para exportação, caso o financiamento permita fechar a conta entre o preço pago pelo cereal e a receita da venda externa.

No mercado, há disponibilidade de milho. os produtores mantêm esses volumes na expectativa de alta, mas encontram um mercado acomodado. A combinação de oferta ainda retida e compradores aguardando melhores condições de crédito mantém a comercialização dependente das decisões dos dois lados. A possibilidade de maior movimento está ligada à disposição das empresas de antecipar aquisições e carregar estoques. No exterior, o avanço da colheita norte-americana também pesa sobre as cotações. A entrada da produção norte-americana continua sendo um fator de pressão. O mercado doméstico opera em ambiente de liquidez reduzida. A ausência da ponta exportadora, a perda de fôlego do dólar, os trabalhos de plantio da soja e a postura cautelosa dos grandes compradores antes do desfecho eleitoral mantêm as cotações pressionadas e sem direcionamento claro.

Em São Paulo, na região de Campinas, a atenção dos produtores com o avanço da semeadura afasta ofertas do mercado físico. Fábricas de ração indicam entre R$ 64,00 e R$ 65,00 por saca de 60 Kg CIF. Os produtores indicam entre R$ 67,00 e R$ 68,00 por saca de 60 Kg. Para 2ª safra de 2027, as indicações de exportação estão entre R$ 69,00 e R$ 69,50 por saca de 60 Kg CIF Porto de Santos. Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, a demanda interna está enfraquecida e a exportação permanece inativa, segundo o corretor Nei Chaves. "Grandes indústrias e consumidores de grande porte estão bem abastecidos e não apresentam indicações de compra", disse. Comerciantes locais, no entanto, sinalizam R$ 48/saca FOB, para atender a pequenos confinamentos fora do Estado.