22/Oct/2026
Segundo a AgResource, as dificuldades de exportação de milho da Ucrânia podem ampliar a demanda pelo cereal brasileiro na Europa, apesar da pressão exercida pela maior oferta dos Estados Unidos sobre as cotações internacionais. Caso a Ucrânia embarque apenas metade das 22 milhões de toneladas previstas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra 2026/27, os compradores internacionais precisarão buscar 11 milhões de toneladas em outros fornecedores, principalmente Brasil e Estados Unidos. Os ataques a instalações portuárias na região do Mar Negro prejudicam o escoamento de grãos da Rússia e da Ucrânia desde julho. Em meados de agosto, três importantes terminais russos estavam paralisados, enquanto parte dos embarques foi redirecionada para o Mar Báltico.
Para a Ucrânia, a projeção de exportações de milho do USDA ainda não incorpora integralmente os riscos logísticos decorrentes do conflito, o que aumenta a incerteza sobre a disponibilidade do cereal no mercado internacional. A possibilidade de redirecionamento das compras ocorre em um cenário de menor produção europeia. A safra francesa de milho foi estimada em 7,3 milhões de toneladas, o menor volume da série histórica iniciada em 1980. Para a União Europeia, o USDA projeta produção próxima de 48 milhões de toneladas, a menor desde 1999, e importações de 23,5 milhões de toneladas. A Argentina, outro importante exportador, permanece praticamente fora do mercado europeu desde junho em razão de uma barreira fitossanitária. Com isso, Brasil e Estados Unidos concentram a disputa para atender à demanda regional. A diferença entre as cotações europeias e norte-americanas também favorece a competitividade do milho destinado à Europa.
Na Bolsa de Paris, o contrato para novembro passou de 264 euros por tonelada no fim de setembro para 303 euros por tonelada em 14 de outubro. Em 16 de outubro, a cotação europeia equivalia a aproximadamente US$ 328,00 por tonelada, ante US$ 187,00 por tonelada na Bolsa de Chicago, diferença superior a US$ 140,00 por tonelada. A União Europeia permite a importação de milho transgênico de variedades aprovadas, condição que favorece as compras dos Estados Unidos e abre espaço para o produto brasileiro. Uma redução expressiva das exportações ucranianas poderia apertar o balanço de oferta e demanda dos principais fornecedores de milho fora da região do Mar Negro. Segundo as estimativas apresentadas pela AgResource, a relação entre estoques e consumo de Estados Unidos, Brasil e Argentina, projetada pelo USDA em 10,2%, cairia para 8,4% caso esses países precisassem suprir uma demanda adicional de 10 milhões a 11 milhões de toneladas não atendida pela Ucrânia.
O indicador mede o volume disponível em estoques em relação ao consumo, e o nível de 8,4% representaria uma das relações mais apertadas das últimas décadas. Nos Estados Unidos, a perspectiva de maior oferta continua pressionando os preços do milho. No relatório divulgado em 9 de outubro, o USDA elevou a estimativa de produtividade da cultura para 11,4 toneladas por hectare. Com a revisão dos estoques iniciais, a oferta total aumentou aproximadamente 10 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais passaram a ser estimados em quase 47 milhões de toneladas. A reação do mercado aproximou as cotações do milho negociado na Bolsa de Chicago da mínima de sete semanas. A produtividade norte-americana, contudo, ainda pode passar por revisões.
As estimativas de outubro do USDA apresentam diferenças em relação aos resultados finais, tanto para cima quanto para baixo, mantendo a produtividade e o volume efetivo da safra dos Estados Unidos como fatores de incerteza para o mercado internacional. Para as próximas semanas, a evolução das negociações diplomáticas para uma possível reabertura do corredor de exportação do Mar Negro e as condições climáticas na América do Sul serão determinantes para as perspectivas de mercado. A retomada do corredor marítimo poderia inverter o cenário projetado de maior demanda por fornecedores alternativos. Na América do Sul, o retorno do calor no fim de outubro e em novembro pode prejudicar as lavouras e afetar indiretamente o milho de 2ª safra de 2027 no Brasil. A próxima atualização do balanço mundial de oferta e demanda do USDA está prevista para 10 de novembro. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.