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23/Oct/2026

Futuros em baixa com avanço da colheita nos EUA

Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda nesta quinta-feira (22/10), após uma recuperação moderada na sessão anterior. As cotações continuam pressionadas pelo avanço acelerado da colheita nos Estados Unidos, onde a produção deve superar 400 milhões de toneladas pelo segundo ano consecutivo. O contrato com vencimento em dezembro recuou 2,75 cents de dólar por bushel, equivalente a 0,59%, e fechou a US$ 4,60 por bushel. Apesar da pressão da oferta, o mercado apresenta condições técnicas que podem favorecer uma recuperação pontual. Os contratos estão em condição de sobrevenda acentuada, o que abre espaço para um possível movimento de cobertura de posições vendidas nos próximos dias. Esse fator, entretanto, não elimina a influência da entrada da safra norte-americana sobre a formação dos preços.

A queda das cotações foi limitada pelo fortalecimento do petróleo, que melhora a competitividade relativa do etanol. Nos Estados Unidos, o biocombustível é produzido principalmente a partir do milho, de modo que a valorização da energia pode favorecer a demanda pelo grão destinado à indústria de biocombustíveis e oferecer sustentação aos preços. Os dados de vendas externas dos Estados Unidos também contribuíram para conter as perdas. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os exportadores venderam 1,527 milhão de toneladas de milho da safra 2026/27 na semana encerrada em 15 de outubro. O volume aumentou 36% em relação à semana anterior e 87% na comparação com a média das quatro semanas precedentes, indicando demanda externa firme pelo cereal norte-americano.

Outro fator de sustentação é a perspectiva de ampliação dos embarques dos Estados Unidos para a União Europeia, cuja produção de milho foi prejudicada por sucessivas ondas de calor. Segundo a Zaner Ag Hedge, as importações de milho pelo bloco europeu no acumulado do ano comercial 2026/27 estão 40% acima das registradas em igual período do ciclo anterior. Na mesma comparação, as exportações norte-americanas para a União Europeia mais do que triplicaram, alcançando 2,9 milhões de toneladas. O mercado de milho permanece, assim, sob influência de forças opostas. O avanço da colheita e a expectativa de uma produção norte-americana superior a 400 milhões de toneladas mantêm a pressão de oferta, enquanto o ritmo das vendas externas, a demanda potencial para produção de etanol e o aumento das compras europeias ajudam a limitar as perdas. No curto prazo, a evolução da colheita e a continuidade da demanda internacional serão determinantes para o comportamento das cotações.