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23/Oct/2026

Preços do milho deverão se manter pressionados

A oferta abundante de milho no Brasil, combinada às compras antecipadas das indústrias e ao ritmo insuficiente das exportações, pode manter os preços pressionados até a entrada da 2ª safra de 2027. Esse cenário depende da continuidade dos embarques abaixo do necessário para reduzir os estoques e da ausência de problemas climáticos relevantes na safra de verão (1ª safra 2026/2027). A indústria se antecipou nas compras. Com os consumidores abastecidos, a procura neste fim de ano se concentra em volumes complementares para necessidades específicas. Ao mesmo tempo, a colheita brasileira transcorreu sem perdas relevantes, mantendo elevada a disponibilidade de cereal.

Parte da dificuldade de escoamento é atribuída ao desempenho das exportações nos primeiros meses do programa brasileiro, especialmente julho e agosto. O conflito no Oriente Médio afetou as compras do Irã, principal destino do milho do País em 2025, e contribuiu para deixar mais produto no mercado interno. Os embarques começaram a mostrar sinais de recuperação, mas ainda é cedo para contar com uma reação consistente dos preços. O line-up para novembro ainda é muito fraco. Essa programação precisa ganhar volume e superar o nível do mesmo mês do ano passado para ajudar a recuperar o atraso nas exportações. Se os embarques não acelerarem, os estoques brasileiros no fim de janeiro poderão superar 12 milhões de toneladas e chegar a 15 milhões.

A entrada do milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), caso não haja perdas expressivas, reforçaria a oferta antes da colheita da 2ª safra de 2027. O principal obstáculo à valorização é a combinação entre muito cereal disponível e pouca necessidade de novas compras, tanto das indústrias quanto dos exportadores. O mercado externo e o câmbio reforçam essa pressão. Os preços na Bolsa de Chicago atravessam o período de baixa sazonal associado à colheita norte-americana, enquanto a queda do dólar após o primeiro turno das eleições reduziu as referências de exportação no Brasil. Com menor receita em reais pelas vendas ao exterior, os exportadores têm menos espaço para elevar as ofertas ao produtor. A combinação entre o abastecimento confortável das indústrias e fraqueza na ponta exportadora traduz-se na liquidez quase nula das regiões produtoras.

No Paraná, na região de Maringá, tradings indicam R$ 61,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega imediata, sem interesse de venda por parte do produtor. Na região norte do Estado, cooperativas indicam entre R$ 60,00 e R$ 60,50 por saca de 60 Kg FOB, enquanto os compradores indicam R$ 58,00 por saca de 60 Kg FOB, mantendo um impasse que impede o fechamento de negócios. Para a 2026/27, a indicação de tradings é de R$ 63,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em janeiro de 2027 e R$ 66,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega entre julho e agosto, mas a falta de ofertas vendedoras impede o início das fixações.

Em Mato Grosso, na região de Sinop, as indústrias de ração e etanol indicam R$ 48,00 por saca de 60 Kg OB ou CIF, para embarque ou entrega entre novembro e dezembro e pagamento em janeiro. A cotação registra recuo de R$ 3,00 por saca de 60 Kg nos últimos sete dias. Tradings indicam R$ 45,00 por saca de 60 Kg FOB, para pagamento em dezembro, acumulando recuo de R$ 10,00 por saca de 60 Kg em 30 dias. Para 2ª safra de 2027, as indústrias indicam R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF, para entrega em julho e pagamento em agosto. Os produtores evitam novos compromissos antes de finalizar a semeadura da soja.