26/Oct/2026
Os valores do milho acumulam mais uma semana de baixas no mercado interno, refletindo a disponibilidade atual elevada. Além disso, os preços internacionais estão em queda, o que, junto à desvalorização do dólar, reduz a paridade de exportação e tem mantido baixo o ritmo dos embarques nesta temporada, influenciando as retrações. Neste contexto, os compradores do cereal seguem com postura cautelosa nas novas negociações, observando o ritmo da semeadura, que, apesar do alto volume de chuvas, vem ocorrendo de forma satisfatória, mantendo as boas previsões de oferta nos próximos meses. Do lado da venda, os produtores têm se mostrado mais flexíveis na comercialização, com receio de novas desvalorizações e/ou para formar caixa. Nos últimos sete dias, os preços registram baixa de 2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 2,1% no mercado de lotes (negociação entre empresas).
O Indicador ESALQ/BM&F (Campinas - SP) registra recuo de 0,9% nos últimos sete dias, a R$ 64,24 por saca de 60 Kg, o menor desde 6 de julho deste ano (quando foi de R$ 64,00 por saca de 60 Kg). Na parcial de outubro, o Indicador acumula queda considerável de 6,45%, e a média mensal já é 5% inferior à de setembro/26. As médias mensais de algumas regiões também estão menores entre setembro e outubro, como as registradas em Chapecó (SC), Chapadão do Sul (MS), Norte do Paraná, Rio Verde (GO) e Sorriso (MT). Na B3, as quedas são influenciadas pelas retrações no mercado spot e pela possibilidade de semeadura da 2ª safra de 2027 na janela considerada ideal. O contrato Nov/26 tem baixa de 2,3% nos últimos sete dias, a R$ 65,55 por saca de 60 Kg; e o Jan/27, com recuo de 1,5%, a R$ 70,41 por saca de 60 Kg.
Assim como no mercado interno, os preços nos portos estão em baixa, mas de forma mais intensa, pressionados pelas quedas das cotações futuras e do dólar. Nos últimos sete dias, os valores registram forte baixa de 6,5% no Porto de Paranaguá (PR) e de 2,66% no Porto de Santos (SP). Considerando-se os primeiros 11 dias úteis de outubro, o ritmo diário de embarques está 12% inferior ao do mesmo período de 2025. Com isso, os embarques somam 2,86 milhões de toneladas de milho até o momento, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). No Brasil, a semeadura da safra de verão (1ª safra 2026/2027) se aproxima da reta final na Região Sul e começa a avançar no Sudeste e em partes de Goiás e da Bahia, que também têm áreas destinadas à safra de verão (1ª safra). Com isso, a média nacional semeada chegou a 36%, avanço semanal de 2,5% e acima da média dos últimos cinco anos, de 35,6%, segundo os dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
No Paraná, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral/Seab), 86% das lavouras de milho haviam sido semeadas até o dia 19 de outubro, sendo que, destas, 81% apresentam boas condições, 18%, médias e apenas 1% está em situação ruim. Em Santa Catarina, a Conab indica que, até o dia 16 de outubro, a semeadura chegou a 86% da área total. No Rio Grande do Sul, dados da Emater-RS indicam que o semeio avança em ritmo desigual devido às condições climáticas, como as temperaturas amenas, a umidade do solo e registros de temporais. Com isso, até o dia 22 de outubro, 78% da área destinada ao milho safra de verão (1ª safra 2026/27) já havia sido semeada, avanço semanal de apenas 2%. Nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Bahia, a semeadura está em 12%, 6,7%, 5% e 2%, respectivamente, segundo os dados da Conab do dia 16 de outubro.
O relatório semanal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) sobre as condições das lavouras americanas apontou que produtores americanos colheram 44% das lavouras de milho até o dia 18 de outubro, aumento de 11% frente à semana anterior. Outros 95% das lavouras estão maduras, 4% superior no mesmo comparativo. Desse total, 56% das lavouras estão em condições entre boas e excelentes; 27%, em situação média e apenas 17% estão ruins e muito ruins. Na Argentina, a semeadura avançou apenas 5% na semana passada, somando 39,8% da área, estimada em 8,4 milhões de hectares, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires. Nos Estados Unidos, os vencimentos são pressionados pelo avanço da colheita no país e pela demanda enfraquecida. Neste contexto, na Bolsa de Chicago, o vencimento Dez/26 está cotado a US$ 4,60 por bushel, forte queda de 3,6% nos últimos sete dias. O contrato Mar/27 tem recuo de 3,4%, a US$ 4,74 por bushel. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.