27/Oct/2026
A FS considera financeiramente viável seu projeto de produção de etanol de carbono negativo por meio da captura e do armazenamento geológico de carbono (BECCS). A expansão da iniciativa, porém, depende da formação de mercados capazes de remunerar a tecnologia e assegurar demanda pelos créditos de carbono gerados. O principal desafio está na profundidade e na liquidez dos mercados compradores, e não no retorno econômico do projeto. A viabilidade econômica considera a comercialização de créditos de carbono a preços atualmente praticados no mercado voluntário. A FS já anunciou acordos com empresas interessadas em compensar suas emissões, incluindo uma operação negociada a US$ 150,00 por tonelada de carbono.
Para a companhia, o desenvolvimento da tecnologia no Brasil depende da ampliação da demanda e da criação de condições para monetizar a remoção de carbono em escala comercial. Entre as possibilidades de formação desse mercado está o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), instituído por lei. A regulamentação poderá contribuir para criar demanda doméstica, embora a implementação do sistema ainda deva levar alguns anos. A expectativa da companhia é de que o SBCE se torne uma realidade em três a quatro anos, em meio às iniciativas em andamento para estruturar o mercado interno de carbono. Também existem oportunidades em mercados internacionais, como o programa da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e o mecanismo de compensação e redução de emissões da aviação internacional. O acesso a essas alternativas, entretanto, enfrenta obstáculos comerciais e regulatórios.
Nos Estados Unidos, as tarifas comerciais impedem atualmente que a FS entre no mercado de forma competitiva. Em outros mercados, a comercialização de etanol de carbono negativo ainda depende de condições regulatórias específicas. No Brasil, uma das etapas pendentes é a regulamentação do BECCS pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O projeto da FS prevê capturar o dióxido de carbono (CO₂) emitido durante a produção de etanol, comprimi-lo e injetá-lo em uma formação geológica subterrânea. Sob a unidade da companhia em Lucas do Rio Verde (MT), foi identificada uma camada de arenito com características consideradas adequadas ao armazenamento permanente do gás. A consolidação de regras regulatórias e a ampliação da demanda por créditos de carbono serão determinantes para viabilizar a expansão comercial da tecnologia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.