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28/Oct/2026

El Niño ameaça janela de plantio da 2ª safra 2027

Segundo a Serasa Experian, o El Niño pode comprometer a produção de milho 2ª safra de 2027 e de algodão antes mesmo da colheita da soja, caso provoque atrasos no calendário da oleaginosa e reduza o período disponível para a semeadura das culturas subsequentes. O El Niño pode deslocar as janelas de cultivo e ampliar a exposição climática do milho e do algodão. As culturas de 2ª safra podem sentir os efeitos do fenômeno com maior intensidade, uma vez que dependem da liberação das áreas após a colheita da soja. A temporada 2023/24 é uma referência desse risco: dificuldades para estabelecer a oleaginosa dentro do período adequado podem reduzir o tempo disponível para o cultivo seguinte e comprometer a produtividade do milho. Na safra atual, o avanço da semeadura nas últimas semanas alterou parcialmente o cenário.

Cerca de 40% da área brasileira de soja já havia sido plantada, enquanto Mato Grosso alcançava 70% da área prevista. O Estado enfrentou dificuldades em setembro, devido à irregularidade das chuvas, mas as precipitações se regularizaram em outubro, permitindo que os produtores acelerassem os trabalhos na segunda quinzena do mês. Com isso, a principal preocupação passa a ser a distribuição das chuvas durante o desenvolvimento das lavouras. O comportamento das precipitações entre novembro e janeiro será determinante também para o calendário do milho de segunda safra. Caso as chuvas ocorram conforme o esperado, sem períodos de estiagem capazes de comprometer a produtividade da soja ou provocar a necessidade de replantio, a janela de semeadura do milho em Mato Grosso poderá ser preservada. Nesse cenário, o risco adicional para a 2ª safra de 2027 tende a diminuir.

Entretanto, a evolução inicial favorável do plantio não elimina a possibilidade de impactos climáticos ao longo do ciclo. Em outras regiões produtoras, o avanço da semeadura ocorre em ritmo mais lento. Em Goiás, o estabelecimento das lavouras de soja de sequeiro permanece limitado no norte e no leste do Estado, onde os produtores aguardam condições mais favoráveis de umidade do solo. No sul de Goiás, o plantio já começou. No Rio Grande do Sul, o excesso de chuvas também dificulta a evolução dos trabalhos em relação ao ritmo histórico. Essas diferenças regionais evidenciam que o El Niño pode redistribuir os riscos climáticos entre as principais áreas produtoras. Entre as recomendações do grupo de trabalho do Ministério da Agricultura sobre o El Niño estão a utilização de sementes mais tolerantes à estiagem, a atenção à densidade e à profundidade de semeadura e a distribuição do plantio em diferentes períodos.

As medidas buscam reduzir a exposição das lavouras a condições climáticas desfavoráveis concentradas em uma única janela de cultivo. O estudo da Serasa Experian aponta uma diferença potencial de 17,6 milhões de toneladas, equivalente a 9,7%, entre os cenários de El Niño forte e de condições climáticas neutras para a produção brasileira de soja. A empresa ressalta que o cálculo representa uma avaliação de risco, e não uma previsão de quebra de safra. Os relatórios mensais da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a partir de dezembro, deverão contribuir para uma avaliação mais precisa dos efeitos das condições meteorológicas sobre a produtividade. Até lá, a regularidade das chuvas e o cumprimento do calendário da soja serão fatores centrais para determinar as condições de plantio do milho de 2ª safra e do algodão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.