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28/Oct/2026

Exportações fracas pressionam preços do milho

Segundo a Biond Agro, a perda de força das exportações de milho e as dificuldades logísticas de escoamento reduziram em até 22% as cotações do grão no interior do Brasil desde setembro. A retomada das compras pela indústria doméstica, contudo, poderá contribuir para sustentar os preços a partir de dezembro. Em Sorriso (MT), o milho recuou 22% no período, para R$ 41,00 por saca de 60 Kg, enquanto em Rio Verde (GO) a queda foi de 19%, para R$ 50,20 por saca de 60 Kg. No curto prazo, a capacidade de negociação dos produtores permanece limitada pela menor presença de compradores. A perda de ritmo das exportações, combinada com os estoques da indústria doméstica, reduz o espaço para a obtenção de preços mais elevados e limita as perspectivas de recuperação imediata das cotações. Para alcançar a estimativa de 38 milhões de toneladas exportadas em 2026, o Brasil precisa embarcar 12 milhões de toneladas entre novembro e dezembro. Entretanto, a programação de embarques para novembro permanece reduzida.

O escoamento da produção de Mato Grosso em direção aos portos na Região Sul enfrenta filas no Porto de Paranaguá (PR), fretes elevados e restrições nas hidrovias da Região Norte, fatores que dificultam o fluxo de milho até os mercados externos. No cenário internacional, a expectativa de maior oferta nos Estados Unidos e a queda dos preços na Bolsa de Chicago reduziram a competitividade das exportações brasileiras. No mercado interno, compradores do Centro-Oeste estão abastecidos até novembro ou dezembro, restringindo a demanda imediata. Em contrapartida, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta crescimento de 6,6% na produção de etanol de milho na safra 2026/27, o que poderá ampliar a demanda industrial e contribuir para a sustentação das cotações nos próximos meses. Diante desse cenário, a Biond Agro recomenda que produtores com necessidade de caixa ou de liberação de espaço nos silos para receber a soja avaliem a negociação de lotes de milho no curto prazo com a indústria. Para aqueles com capacidade de armazenagem, a venda futura por meio do mercado de derivativos pode representar uma alternativa, desde que sejam considerados os custos de estocagem e financiamento.

Na B3, o contrato de milho com vencimento em novembro encerrou a R$ 65,40 por saca de 60 Kg em 23 de outubro, enquanto o contrato para março de 2027 fechou a R$ 75,50 por saca de 60 Kg. A diferença de R$ 10,10 por saca de 60 Kg entre os vencimentos oferece uma referência para o planejamento comercial, mas precisa ser avaliada em conjunto com os custos de carregamento da posição e as condições de cada produtor. Uma mudança antecipada na tendência de preços dependeria de embarques mensais entre 6 milhões e 7 milhões de toneladas em novembro e dezembro, de uma valorização do dólar para acima de R$ 5,22 ou da normalização do tráfego nas hidrovias do Norte. Sem a concretização de um desses fatores, a combinação de exportações enfraquecidas, logística restritiva e compradores domésticos abastecidos tende a limitar a recuperação das cotações no curto prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.