28/Oct/2026
Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam em queda nesta terça-feira (27/10) e abaixo do suporte de US$ 4,50 por bushel, pressionados pelo fortalecimento do dólar ante o euro, pelo recuo do petróleo e pela perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos. O vencimento dezembro recuou 6,25 cents (1,37%), e fechou a US$ 4,48 por bushel. A valorização do dólar torna as commodities norte-americanas menos competitivas para compradores europeus. O milho dos Estados Unidos vinha conquistando novos mercados na Europa, onde a produção foi prejudicada por sucessivas ondas de calor. A valorização da moeda norte-americana, contudo, pode desacelerar a demanda externa pelo cereal dos Estados Unidos. O ritmo das vendas externas norte-americanas também permanece abaixo do esperado.
Os compromissos de exportação somam 22,19 milhões de toneladas, volume 33,9% inferior ao registrado em igual período do ano anterior. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que as inspeções de milho para exportação totalizaram 625.233 toneladas na semana encerrada em 22 de outubro, queda de 9,68% em relação à semana anterior. O recuo dos preços do petróleo também contribuiu para pressionar as cotações do cereal, ao reduzir a competitividade relativa do etanol. Nos Estados Unidos, o biocombustível é produzido principalmente a partir do milho, de modo que as condições do mercado de energia influenciam a demanda industrial pelo grão. A perspectiva de produção superior a 400 milhões de toneladas nos Estados Unidos reforçou a pressão sobre os contratos futuros. Apesar da expectativa de ampla oferta, a colheita avança em ritmo inferior ao padrão histórico.
Segundo o USDA, os trabalhos alcançaram 60% da área até a semana encerrada em 25 de outubro, avanço de 16% em relação à semana anterior, mas abaixo da média de 66% dos últimos cinco anos. O atraso reflete, em parte, a prioridade dada pelos produtores à colheita da soja em detrimento do milho. A avaliação da StoneX é de que o início da colheita norte-americana de milho é o mais lento desde a safra 2019, quando o excesso de chuvas prejudicou os trabalhos. Em Iowa, um dos principais Estados produtores, o ritmo da colheita está 20 pontos porcentuais abaixo da média dos cinco anos anteriores. Mesmo com o atraso no campo, a perspectiva de uma safra volumosa, combinada à menor competitividade cambial e ao ritmo moderado das exportações, mantém a pressão sobre os preços do milho. A evolução da colheita e da demanda externa continuará no radar do mercado nas próximas semanas.