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29/Oct/2026

Dólar forte ante Real não estimula vendas no Brasil

Segundo a Stag International, a desvalorização do Real após as eleições brasileiras não tem sido suficiente para estimular as vendas de milho pelos produtores, enquanto os contratos futuros do cereal na Bolsa de Chicago acumulam queda de 9,4% em outubro. A retração das cotações internacionais e dos prêmios de exportação absorveu boa parte do benefício cambial. O Real mais fraco proporcionou apenas ganhos modestos nos preços recebidos pelos produtores. Ao mesmo tempo, o milho sul-americano, especialmente o argentino, continua competitivo em determinados mercados internacionais, limitando a recuperação das exportações dos Estados Unidos. Em 27 de outubro, os prêmios para entrega em dezembro variavam de 88 a 100 centavos de dólar por bushel nos portos de Santos (SP) e Tubarão (SC), ante 80 a 90 centavos de dólar por bushel na Argentina e 105 a 107 centavos de dólar por bushel no Golfo dos Estados Unidos.

Nos países do Sudeste Asiático, porém, o milho embarcado pelos portos do noroeste norte-americano ainda apresenta condições competitivas favoráveis. Na parcial de outubro, os contratos futuros de milho em Chicago recuaram 9,4%, movimento próximo à queda de 9,7% registrada pelo trigo. A soja apresentou desvalorização de 3,5% no mesmo intervalo. Parte da pressão reflete a redução das expectativas de que os problemas logísticos na região do Mar Negro levariam compradores internacionais a ampliar as aquisições de grãos dos Estados Unidos. Apesar das dificuldades persistentes na região, outros fornecedores têm conseguido atender à demanda. A possibilidade de negociações entre Rússia e Ucrânia em novembro também representa um fator de pressão sobre as cotações. O posicionamento dos fundos de investimento reforça a perspectiva de baixa.

No levantamento mais recente da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities dos Estados Unidos (CFTC), os investidores financeiros mantinham posição líquida comprada de aproximadamente 146 mil contratos de milho, indicando predominância de apostas na valorização do cereal. O saldo era de 231 mil contratos na semana anterior e de 414 mil um mês antes. A posição deve ter diminuído para cerca de 130 mil contratos e há espaço para novas vendas, considerando que as cotações estão abaixo dos níveis em que parte desses investidores provavelmente ingressou no mercado. A demanda externa norte-americana também é motivo de preocupação. As vendas semanais de milho dos Estados Unidos permanecem abaixo dos níveis registrados em períodos comparáveis dos dois anos anteriores. Uma recuperação sustentada dos preços dependerá de um fortalecimento das compras físicas, e não apenas de expectativas relacionadas ao cenário geopolítico.

Pelo lado da oferta, a expectativa é de que o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduza a estimativa de produtividade do milho em Nebraska no próximo relatório. Uma eventual revisão diminuiria a previsão de produção nacional, mas o efeito poderá ser compensado por estimativas menores de exportação, mantendo os estoques finais acima das expectativas do mercado. O USDA corrigiu dados de setembro após identificar erros na ponderação das áreas irrigadas e não irrigadas em Nebraska e Kansas. A revisão elevou produção em 0,7 milhão de toneladas. As estimativas divulgadas em outubro permaneceram inalteradas, com produtividade. Para as próximas semanas, a perspectiva se mantém entre neutra e baixista para os preços do milho. A competitividade do produto norte-americano na Ásia e a possibilidade de redução da produtividade em Nebraska, entretanto, podem limitar as perdas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.