29/Oct/2026
Os contratos futuros de milho negociados na Bolsa de Chicago fecharam em alta nesta quarta-feira (28/10), após quatro sessões consecutivas de perdas e a queda das cotações abaixo de US$ 4,50 por bushel. O movimento foi impulsionado pela cobertura de posições vendidas, em um cenário de redução das apostas compradas no mercado futuro. O vencimento dezembro avançou 3,00 cents de dólar, ou 0,67%, e fechou a US$ 4,51 por bushel. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC) mostram que a posição líquida comprada em milho diminuiu 33,28% na semana encerrada em 20 de outubro, para 164.423 contratos.
A redução expressiva pode indicar que o processo de liquidação de posições compradas está próximo do fim, o que favoreceria movimentos de recuperação das cotações por meio da recompra de contratos vendidos. A valorização do petróleo também contribuiu para sustentar os preços do cereal, ao melhorar a competitividade relativa do etanol, produzido principalmente a partir do milho nos Estados Unidos. Dados da Administração de Informação de Energia (EIA) mostram que a produção média norte-americana de etanol aumentou 2,19% na semana encerrada em 23 de outubro, para 1,118 milhão de barris por dia. O resultado ficou próximo do limite superior das estimativas dos analistas, que variavam de 1,082 milhão a 1,120 milhão de barris diários.
Os estoques de etanol recuaram 0,41% no período, para 24,5 milhões de barris, permanecendo dentro do intervalo projetado pelo mercado, de 23,758 milhões a 25,6 milhões de barris. A combinação entre maior produção e redução dos estoques oferece suporte ao acompanhamento da demanda industrial por milho, embora a evolução das cotações também dependa da disponibilidade do cereal e do ritmo de comercialização da safra norte-americana. Os ganhos, contudo, foram limitados pela expectativa de uma ampla oferta de milho nos Estados Unidos, cuja produção deverá superar 400 milhões de toneladas. Ao mesmo tempo, o ritmo da colheita permanece abaixo da média histórica.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), os trabalhos avançaram 16 pontos porcentuais na última semana, alcançando 60% da área cultivada, ante 66% na média dos últimos cinco anos. O atraso da colheita tem sido associado à priorização da soja pelos produtores norte-americanos, o que mantém o avanço dos trabalhos no milho mais lento do que o habitual. O ritmo atual é o mais lento para esse estágio da temporada desde a safra 2019, marcada pelo excesso de chuvas. A combinação entre cobertura de posições vendidas, valorização do petróleo e demanda por etanol sustenta uma recuperação pontual dos futuros, enquanto a perspectiva de produção elevada nos Estados Unidos continua limitando o potencial de alta.