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29/Oct/2026

Preços do milho pressionados pela ampla oferta

A alta do dólar pode provocar reajustes pontuais no milho brasileiro, mas a oferta elevada e o atraso das exportações limitam o espaço para um avanço contínuo até o fim do ano. O preço não deve cair muito mais, mas não há espaço para o preço se recuperar agora, a não ser pelo câmbio. A melhora dos embarques em outubro ainda não compensou o desempenho mais fraco das exportações ao longo da temporada. Com base na programação de embarques, há uma diferença de aproximadamente 4 milhões de toneladas em relação ao ano passado, considerando os registros até outubro. Após uma safra recorde, esse escoamento menor mantém mais cereal disponível para os compradores domésticos. A procura europeia trouxe algum alívio, mas não foi suficiente para mudar esse quadro. As perdas na produção da França e de outros países da União Europeia abriram espaço para compras de fornecedores como Brasil, Estados Unidos e Argentina. O aumento, porém, ainda não compensou a redução das vendas brasileiras para destinos como o Irã e a disputa com o milho argentino em mercados como o Vietnã.

Com isso, o câmbio ganha importância para a formação dos preços no curto prazo. A alta do dólar pode melhorar as ofertas em reais dos exportadores e permitir negócios em níveis mais altos, mas não resolve, por si só, a disponibilidade elevada de milho no País. O movimento cambial ainda não se traduziu em uma reação equivalente das cotações do cereal. Para que os preços avancem de forma mais consistente nas próximas semanas, é necessário que haja uma aceleração expressiva dos embarques. Sem essa recuperação, o volume que permanece no mercado interno tende a conter as tentativas de alta. A perspectiva, portanto, é de preços sem uma direção forte até o encerramento de 2026, sujeitos a oscilações do dólar e ao ritmo das vendas externas. Caso as exportações melhorem, pode haver algum “respiro". No mercado interno, embora a disparada recente do dólar tenha destravado negócios pontuais, a comercialização segue travada.

No Paraná, na região de Cascavel, as incertezas no consumo interno contêm o ritmo de negócios. A apreensão com a demanda por ração reflete os entraves prolongados para o embarque de proteína animal à União Europeia e os monitoramentos sanitários no setor de aves em função do novo caso de Newcastle, em Santa Catarina. No mercado disponível, as cotações de indústrias sustentam-se entre R$ 60,00 e R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB, para retirada no armazém do produtor em novembro e pagamento em dezembro. Tradings indicam entre R$ 67,00 e R$ 68,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, em igual prazo de entrega. Para o milho safra de verão (1ª safra 2026/2027), os vendedores indicam R$ 70,00 por saca de 60 Kg. As fábricas indicam R$ 62,00 por saca de 60 Kg FOB, para entrega em janeiro. Em Mato Grosso, na região de Primavera do Leste, as indústrias locais mantêm indicações de R$ 46,00 por saca de 60 Kg CIF no spot, mas a falta de ofertas por parte dos produtores e a ausência da exportação mantêm os negócios no spot travados. Para 2ª safra de 2027, tradings indicam R$ 54,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em agosto. As indústrias indicam R$ 52,00 por saca de 60 Kg CIF.