30/Oct/2026
Segundo projeções do Banco Mundial, os preços internacionais do milho e do trigo devem continuar em alta em 2027, diante da perspectiva de redução da produção mundial. A estimativa é de valorização de 5,4% para o milho e de 13,5% para o trigo no próximo ano, após aumentos previstos de 9,9% e 28%, respectivamente, em 2026. As estimativas apontam perdas climáticas em importantes regiões produtoras e dificuldades de exportação pelo Mar Negro, sobretudo no mercado de trigo. Para o milho, o Banco Mundial projeta queda de 3% na produção global na safra 2026/2027. As perdas esperadas no Brasil, na Argentina, nos Estados Unidos e na União Europeia devem ser parcialmente compensadas pelo aumento das colheitas na Rússia, de 11%, e na Ucrânia, de 8%. Na União Europeia, a produção deve recuar 20%, atingindo o menor nível em quase duas décadas, após o calor e a seca reduzirem a área cultivada e a produtividade. A instituição considera, em seu cenário-base, uma melhora das condições de transporte de grãos pelo Mar Negro em 2027, fator que tende a limitar a valorização do cereal.
O preço médio internacional do milho é estimado em US$ 235,00 por tonelada em 2027, ante US$ 223,00 por tonelada em 2026. A projeção para o próximo ano foi revisada para cima em relação à estimativa divulgada em abril, quando a previsão da cotação média era de US$ 214,00 por tonelada. No mercado de trigo, a pressão sobre os preços tende a ser mais intensa. A produção mundial deve diminuir 3% na safra 2026/2027, com perdas em importantes regiões produtoras. Nos Estados Unidos, o Banco Mundial prevê queda de 23%, para o menor volume em 55 anos, em consequência da seca, do calor extremo e da redução da área cultivada, à medida que agricultores migram para culturas mais rentáveis. Na Argentina e na Austrália, as colheitas devem recuar entre 23% e 25%. Também são esperadas retrações de 12% no Canadá e de 8% na União Europeia. As dificuldades de escoamento pelo Mar Negro agravam o cenário para o trigo. O Banco Mundial projeta redução de 11% nas exportações da Ucrânia e de 8% nas da Rússia em 2026/2027, em meio à intensificação dos conflitos na região.
Com isso, os embarques mundiais devem cair 7%, com retração entre os nove principais exportadores. O preço médio internacional do trigo é estimado em US$ 353,00 por tonelada em 2027, ante US$ 311,00 por tonelada em 2026 e acima dos US$ 260,00 por tonelada previstos em abril. Considerando o conjunto dos grãos, a previsão é de alta de 14,1% nos preços em 2026 e de 9,3% em 2027. A oferta mundial, definida como a soma da produção com os estoques iniciais, deve diminuir pela primeira vez em quatro anos na safra 2026/2027. Apesar da redução, o volume disponível permanecerá entre os maiores já registrados, o que tende a limitar a intensidade das altas em comparação com crises anteriores de abastecimento. A continuidade de ataques a portos e embarcações no Mar Negro, assim como perdas agrícolas mais severas provocadas pelo El Niño, pode pressionar as cotações além das projeções atuais. Para 2028, a projeção é recuo de 10,2% no preço do milho e de 10,8% no do trigo, refletindo a expectativa de alívio das pressões sobre o mercado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.