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30/Oct/2026

Preços do milho estáveis e comercialização pontual

Os preços do milho brasileiro têm pouco espaço para uma recuperação mais forte no curto prazo, apesar da alta do dólar. Para 2027, o crescimento do consumo doméstico exige cautela ao interpretar as exportações menores como sinal de sobra de produto. No momento em que o consumo doméstico está crescendo, esse estoque a ser carregado também precisa crescer. A recente desvalorização do Real teve impacto limitado nos preços internos. Embora possa melhorar as condições de exportação daqui para a frente, o movimento cambial encontra um mercado internacional abastecido pelas safras expressivas dos Estados Unidos e da Argentina.

É difícil ver um grande dinamismo maior agora para o mercado brasileiro no curtíssimo prazo. A valorização do Real ao longo dos últimos 12 meses prejudicou a competitividade brasileira, enquanto os produtores norte-americanos colheram uma safra muito elevada no ano passado e voltaram a ter boa produção neste ano. A Argentina também teve uma colheita expressiva em 2026. Essa concorrência reduz a atratividade das ofertas para exportação e favorece o direcionamento do cereal ao consumidor doméstico. O consumo interno cresceu, embora isso ainda não tenha se traduzido em preços mais remuneradores ao produtor.

O Brasil está exportando menos justamente porque o produtor tem essa opção de não vender para o mercado externo. O Brasil colhe a maior parte do milho no meio do ano e precisa manter reservas suficientes para atender à demanda até a chegada da 2ª safra de 2027. Assim, um estoque superior ao do ano anterior pode ser necessário apenas para acompanhar o aumento do consumo, sem representar maior folga na oferta. A 2ª safra de 2027 deve se tornar o principal tema do mercado no próximo ano, quando haverá mais elementos para avaliar a produção e sua capacidade de atender à demanda. No mercado físico, a alta recente do dólar provocou negociações pontuais em algumas regiões,

No Paraná, na região de Maringá, a comercialização segue travada pelo distanciamento entre compradores e vendedores. As indicações de tradings registram alta de R$ 3,00 por saca de 60 Kg nos últimos sete dias, para R$ 64,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em novembro e pagamento em dezembro, mas produtores recusam negociar nesses níveis. Fábricas de ração da região de Tietê (SP) indicam R$ 69,00 por saca de 60 Kg CIF, com acréscimo de ICMS, para entrega em novembro. Para 2ª safra de 2027, tradings indicam R$ 70,00 por saca de 60 Kg CIF Porto de Paranaguá, para entrega em julho ou agosto e pagamento no fim de setembro.

Em Mato Grosso, na região de Sorriso, a oscilação cambial abriu janelas pontuais de venda no disponível spot. Na região de Nova Guarita, tradings adquirem o cereal a R$ 48,00 por saca de 60 Kg FOB, para embarque em novembro e pagamento no início de dezembro, via cooperativa. Na região de Nova Mutum, lotes pontuais para exportação são negociados a R$ 49,00 por saca de 60 Kg FOB, em igual prazo. As indústrias de ração e etanol da região mantêm-se cobertas até abril de 2027 e não fazem novas indicações. Para 2ª safra de 2027, indústrias e tradings indicam R$ 48,00 por saca de 60 Kg CIF ou FOB, mas distantes dos R$ 50,00 por saca de 60 Kg indicados pelos produtores para negociar.