07/Nov/2025
O uso do diesel coprocessado da Petrobras em geradores de energia e frotas de ônibus da COP30 causou crítica da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio), que classificou a conferência climática de "circo ilusório pintado de verde". A entidade manifesta "profunda indignação" com a escolha do combustível para ser vitrine de transição energética no evento que começa na segunda-feira (10/11), em Belém (PA). O diesel S10 que a Petrobras usará na COP é produzido a partir do petróleo e tem 10% de conteúdo renovável inserido por meio de coprocessamento. A FBPio argumenta que a classificação dada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ao combustível é fóssil. A própria patente, que é detida pela Petrobras, caracteriza o produto como diesel, pois a presença mínima de conteúdo renovável não é suficiente para descaracterizar o produto como fóssil.
A FPBio defendia que fosse usado na COP30 combustível com 25% ou 100% de biodiesel. A Petrobras está promovendo, na tentativa de conquistar uma fatia de mercado, um combustível fóssil na COP30, podendo até envolver o Brasil num caso global de Greenwashing, disse o grupo de parlamentares. Ao anunciar o uso do combustível, a Petrobras destacou os 10% de conteúdo renovável. A iniciativa reforça a importância que a Petrobras dedica aos debates sobre temas de interesse energético e socioambiental, assim como o comprometimento da empresa com o desenvolvimento sustentável, inclusão social e a promoção da transição energética justa, necessária para o desenvolvimento do Brasil, disse a estatal. O setor do biodiesel venceu uma batalha contra a Petrobras no projeto de lei do Combustível do Futuro, aprovado em 2024 no Congresso, justamente sobre o diesel coprocessado.
A estatal tentou emplacar na proposta, que cria um marco legal para biocombustíveis, o combustível do qual detém a patente, mas o item acabou retirado do relatório final. "Não satisfeitos, agora nos envergonham na COP30, instituindo um circo ilusório pintado de verde, mas que esconde um nefasto tom de cinza por trás", afirma o deputado Alceu Moreira, presidente da Frente. A lei do Combustível do Futuro, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dispõe sobre a mobilidade sustentável, propõe o aumento da mistura do biodiesel ao óleo diesel e eleva o porcentual mínimo obrigatório de etanol na gasolina. O projeto também cria os programas nacionais de combustível sustentável de aviação (SAF), diesel verde e biometano, além do marco legal de captura e estocagem geológica de dióxido de carbono. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.