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10/Nov/2025

Preços da soja em leve baixa no mercado interno

Os consumidores brasileiros estão mais ativos nas aquisições de farelo de soja. No front externo, a demanda também está aquecida, em especial por parte de novos países e/ou de destinos pouco tradicionais, contexto que mantém as exportações brasileiras do derivado registrando bom desempenho. De acordo com a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), de janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou 19,6 milhões de toneladas de farelo de soja, um recorde para o período. Embora os principais destinos do derivado brasileiro sigam sendo a Indonésia (3,3 milhões de toneladas em 2025), Tailândia (2,5 milhões de toneladas), Países Baixos (1,7 milhão de toneladas) e França (1,6 milhão de toneladas), o Brasil tem ampliado sua presença em outros mercados, com vendas recordes neste ano, como para Espanha (1,58 milhão de toneladas), Dinamarca (706,06 mil toneladas) e Bangladesh (544,34 mil toneladas). Portugal também registrou demanda significativa, com 38,65 mil toneladas sendo enviadas ao país, o maior volume desde 2013.

Em outubro, especificamente, o Brasil exportou 2,17 milhões de toneladas de farelo de soja, 5% acima da quantidade embarcada em setembro e a maior desde maio deste ano. Frente ao mesmo mês de 2024, porém, as exportações recuaram 5,4%. No mercado spot nacional, o preço médio do farelo registra alta de 0,8% nos últimos sete dias. Além desse contexto, incertezas quanto aos incentivos às exportações do complexo soja na Argentina também influenciam as cotações do derivado. Esse cenário levou o preço futuro do farelo aos patamares mais altos desde outubro do ano passado. Contudo, os ganhos foram parcialmente devolvidos após o governo argentino prometer novas medidas de estímulo às exportações ainda neste ano. Vale lembrar que a Argentina lidera os embarques globais de farelo e de óleo de soja. Na Bolsa de Chicago, o contrato Dezembro/2025 do farelo alcançou US$ 358,03 por tonelada no dia 5 de novembro, o maior desde 7 de outubro de 2024, mas, nos últimos sete dias, a desvalorização é de 0,9%.

Quanto ao óleo de soja, segundo a Secex, o Brasil exportou 82,51 mil toneladas em outubro, 42,5% acima do embarcado em setembro, mas 12,8% abaixo do escoado há um ano. No acumulado de 2025, o País exportou 1,19 milhão de toneladas, 15,5% a mais do que no mesmo período do ano passado. O principal destino segue sendo a Índia, que recebe 72,6% do total de óleo escoado pelo Brasil. No spot nacional, as negociações de óleo estão lentas. O preço do óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) apresenta baixa de 1% nos últimos sete dias, cotado a R$ 7.231,40 por tonelada. Na Bolsa de Chicago, o contrato Dezembro/2025 do óleo registra recuo de 0,6% nos últimos sete dias, para US$ 1.087,97 por tonelada. No Brasil, a liquidez da soja está em maior ritmo. Ainda assim, nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta recuo de 0,7%, cotado a R$ 139,31 por saca de 60 Kg.

A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra queda de 0,2% nos últimos sete dias, a R$ 133,61 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, os preços registram alta de 0,2% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,3% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Na parcial deste ano, o Brasil embarcou 100,6 milhões de toneladas de soja, 6,7% acima do volume escoado no mesmo período de 2024. Desse total, 78,8 milhões de toneladas tiveram como destino a China. Em outubro, especificamente, os embarques somaram 6,7 milhões de toneladas, 8,3% abaixo do mês anterior, mas um recorde para o mês. A China recebeu 91,6% desse total (6,2 milhões de toneladas). As expectativas de aumento na demanda chinesa por soja dos Estados Unidos elevaram os futuros externos no começo da semana passada, mas a não concretização dessas compras pressionou as cotações nos últimos dias. Na Bolsa de Chicago, o contrato Novembro/2025 da soja tem leve baixa de 0,06% nos últimos sete dias, para US$ 10,91 por bushel. Vale destacar que, entre 3 e 5 de novembro, o contrato Dezembro/2025 operou acima de US$ 11,00 por bushel, o que não ocorria desde julho de 2024.

No campo, as chuvas generalizadas beneficiaram as atividades de campo em grande parte do Brasil. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a semeadura de soja atingiu 47,1% da área estimada até 1º de novembro, abaixo dos 53,3% observados no mesmo período de 2024 e da média de 54,7% dos últimos cinco anos. Entre os Estados, as atividades estão mais adiantadas do que há um ano em Mato Grosso (80,1% da área, ante os 79,5% em 2024) e na Bahia (21%, contra 19%). Nos demais Estados, o ritmo está mais lento: Paraná (71%, ante 74%), Mato Grosso do Sul (73%, ante 79%), Goiás (29%, 20% abaixo do ano passado), São Paulo (60%, ante 93%), Minas Gerais (17,5%, ante 34,4%), Santa Catarina (12%, ante 17%) e Rio Grande do Sul (9%, ante 11%). No Tocantins, o cultivo atingiu 19% da área esperada (contra 25% há um ano), no Maranhão, 2% (ante 8%), e, no Piauí, 2% (1% abaixo de 2024). Na Argentina, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a semeadura também foi iniciada, com produtores otimistas diante da boa umidade do solo. Até 5 de novembro, 4,4% dos 17,6 milhões de hectares estimados haviam sido cultivados. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.