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14/Nov/2025

Safra recorde no Brasil limita os preços em Chicago

Segundo a StoneX, a safra recorde do Brasil e o avanço consistente da colheita nos Estados Unidos devem manter os preços da soja sob controle na Bolsa de Chicago, apesar do acordo comercial anunciado entre Estados Unidos e China. A produção brasileira projetada em 178,9 milhões de toneladas para 2025/2026 reforça o peso da América do Sul e limita o espaço para novas altas. Os preços da soja seguem acima de US$ 10,00 por bushel, mas continuam contidos pelo excesso de oferta global. Os Estados Unidos encerram uma colheita "muito boa" e o Brasil já colheu uma safra recorde neste ano, com expectativa de novo recorde no próximo ciclo. O recente acordo entre Estados Unidos e China provocou apenas uma reação passageira nas cotações, sem alterar o comércio mundial. O acordo envolve o mercado de soja, mas ainda há pontos a serem esclarecidos.

Os volumes que a China deve comprar dos Estados Unidos não diferem muito dos últimos anos. O Brasil continuará como principal fornecedor da oleaginosa. A China já comprou mais soja brasileira em 2025, impulsionada pela colheita recorde. A safra sul-americana tende a confirmar novo recorde, com bom desempenho no Paraguai e recuperação na Argentina, mesmo com área menor. As condições são muito positivas para a América do Sul. Tudo dependerá do clima nos próximos meses. O principal risco vem da influência do fenômeno climático La Niña, que pode provocar tempo seco na Região Sul do Brasil e em países vizinhos. La Niña é sempre uma preocupação porque pode trazer seca para o Sul do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Porém, as previsões indicam um fenômeno curto e de baixa intensidade.

Isso deve limitar o risco de grandes perdas, mas há atenção especial ao Rio Grande do Sul, que já sofreu quebras recentes. Se o clima permanecer próximo do normal, a América do Sul poderá entregar uma colheita histórica em 2025/2026. Do lado da demanda, o consumo global segue firme com o avanço dos biocombustíveis. Nos Estados Unidos, a demanda doméstica é saudável, impulsionada pela produção de biocombustíveis, que deve continuar crescendo nos próximos anos. No Brasil, a política de biodiesel sustenta o aumento do esmagamento de soja, e as exportações atingem níveis recordes em 2025. A continuidade desse movimento depende de políticas públicas. A expansão dos biocombustíveis depende fortemente de apoio governamental, e isso pode mudar conforme o governo. Mas, por enquanto, as perspectivas são muito boas.

Segundo a AgResource, o mercado de soja opera em leve alta na Bolsa de Chicago antes da divulgação do relatório mensal de oferta e demanda (Wasde) do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), prevista para esta sexta-feira (14/11). Analistas da avaliam que o documento deve trazer "poucas surpresas", com revisão moderada nas exportações e manutenção de estoques confortáveis, enquanto a proximidade da colheita no Brasil segue limitando o potencial de valorização. O governo norte-americano voltou a funcionar, e os dados oficiais começam a ser publicados novamente. Isso trouxe alguma cobertura de posições vendidas e ajudou nas altas dos últimos dias. O retorno dos relatórios do USDA "colocou os vendidos em alerta" e impulsionou ajustes técnicos nas cotações.

O relatório do USDA tende a confirmar um cenário estável para a safra norte-americana e um ritmo de embarques aquém do previsto. Se comparar os embarques acumulados com a projeção do USDA, está fora da faixa histórica. Matematicamente, o órgão deve reduzir as exportações de soja entre 2 milhões e 2,7 milhões de toneladas. A AgResource projeta estoques finais próximos de 9,5 milhões de toneladas. Para o milho, a projeção é de leve aumento da área colhida e uma redução na demanda por ração. O balanço de milho será ‘entediante’, com oferta adequada e sem fatores novos para o investidor. O Brasil segue ditando o ritmo do mercado internacional. A soja brasileira continua barata e abundante. A diferença em relação ao ano passado é que a colheita em Mato Grosso começa em menos de 60 dias. Até 1º de fevereiro, o Estado deve ter cerca de 20 milhões de toneladas colhidas.

As condições climáticas na América do Sul são amplamente favoráveis. Há alguma seca na Região Nordeste do Brasil, mas as chuvas voltam na próxima semana. A Argentina também não apresenta sinais de seca significativa, mesmo com a influência de La Niña. O principal ponto de atenção segue sendo a demanda chinesa. Ainda não há compras expressivas da China neste momento. Se um navio fosse carregado hoje, só chegaria aos portos chineses nos últimos dias de dezembro, e o tempo está se esgotando para os Estados Unidos colocarem mais soja no mercado. O início da colheita no Brasil tende a reforçar a pressão sobre a Bolsa de Chicago. Com a safra brasileira voltando ao ritmo normal, o peso da oferta da América do Sul deve continuar definindo os preços. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.