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15/Jan/2026

Dúvidas sobre compras de soja dos EUA pela China

Segundo a StoneX, a China comprou cerca de 11,4 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos nesta temporada, volume próximo à meta inicial de 12 milhões de toneladas, mas o compromisso com um objetivo maior, de 25 milhões de toneladas ao longo de 2026, continua indefinido. O início antecipado da colheita no Brasil e o ambiente geopolítico tenso entre Estados Unidos e China ampliam a incerteza sobre a continuidade das compras chinesas de soja norte-americana. Com o Brasil começando a colher tão cedo, a China tem escolha. A decisão passa a ser de apaziguamento político: se quiser continuar comprando dos Estados Unidos, continua. A questão é se precisa fazer isso. Operadores asiáticos tendem a acreditar que a China não precisa se comprometer com um novo volume, sobretudo porque o governo chinês nunca confirmou oficialmente a meta de 25 milhões de toneladas.

A China mantém as cartas na mão ao dizer que pode ou não pode. Não há motivo para confirmar algo agora. A discussão voltou a ganhar contornos geopolíticos com a apropriação, pelos Estados Unidos, da produção de petróleo da Venezuela, que responde por cerca de 4,5% das importações marítimas chinesas de petróleo bruto, além de anúncios recentes de tarifas de 25% sobre países que mantêm negócios com o Irã, incluindo Brasil e China. A China tem tentado reduzir atritos, mas a pressão continua: Venezuela, Irã e outros temas sensíveis. Em algum momento, a paciência da China pode se esgotar. No mercado interno chinês, os sinais seguem de ajuste de estoques. A estatal Sinograin realizou o quarto leilão doméstico de soja da temporada, com oferta de 1,1 milhão de toneladas e liquidação total.

O resultado confirma a percepção de rotação de estoques. Sai o produto velho e entra o novo, e parte desse produto novo ainda é importação dos Estados Unidos para atender a fatores políticos. Dados oficiais mostram que a China importou 111,8 milhões de toneladas de soja de todas as origens em 2025, recorde histórico e 6,5% acima do ano anterior. No Brasil, a colheita de soja 2025/2026 já começou e alcança cerca de 0,6% da área, acima dos 0,05% registrados no mesmo período do ano passado. O plantio foi mais cedo, o desenvolvimento foi mais cedo e a colheita também começa antes. Isso faz diferença no fluxo de oferta. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) elevou a projeção de exportações brasileiras de soja em janeiro para 3,73 milhões de toneladas, o que seria recorde para o mês.

Para 2026, a entidade estima embarques totais de 112 milhões de toneladas, acima dos 109 milhões de 2025. A projeção indica compras chinesas de 77 milhões de toneladas do Brasil, contra 87 milhões no ciclo anterior, refletindo parte do espaço ocupado recentemente pela soja norte-americana. Com a soja brasileira chegando ao mercado, a China pode voltar rapidamente a comprar do Brasil, se quiser. O relatório mensal de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na segunda-feira (12/01), reforçou a pressão sobre os preços. O órgão revisou para cima a produção brasileira, de 175 milhões de toneladas para 178 milhões de toneladas. O mercado esperava uma correção. Ela não veio, e os números acabaram maiores do que o antecipado. A soja recuou cerca de 3% após o relatório. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.