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19/Jan/2026

Brasil está mais exposto à volatilidade de preços

A consolidação do Brasil como principal fornecedor de soja da China em 2025 deixou o País mais exposto a ciclos de volatilidade de preços, com expectativa de possível alta no primeiro trimestre de 2026, seguida de pressão no segundo trimestre quando a nova safra brasileira e a soja norte-americana chegarem simultaneamente ao mercado chinês. A China deve enfrentar um período de oferta mais justa entre janeiro e março, o que pode sustentar preços e prêmios para a soja brasileira no curto prazo. As exportações do Brasil para a China despencaram de 10 milhões a 11 milhões de toneladas mensais entre março e junho de 2025 para menos de 3 milhões de toneladas em dezembro, reduzindo drasticamente o fluxo de chegada de grãos ao mercado chinês.

Para janeiro, um relatório de mercado chinês projeta importações totais abaixo de 4,6 milhões de toneladas, pouco mais da metade do volume que as indústrias costumam processar mensalmente. Isso pode duplicar o ciclo de 2025, com preços subindo no primeiro trimestre e despencando no segundo. No ano passado, os preços do farelo de soja na China dispararam em abril e caíram bruscamente em maio e junho com a chegada em massa dos grãos brasileiros. A concentração recorde do comércio bilateral em 2025 ampliou a exposição brasileira a esse padrão. O Brasil exportou 108,2 milhões de toneladas de soja no ano, sendo aproximadamente 85 milhões destinadas à China, o que representou 78% de todas as exportações brasileiras. Do lado chinês, o Brasil foi origem de cerca de 83 milhões de toneladas, equivalente a 74% das importações do país asiático, que totalizaram volume recorde de 111,8 milhões de toneladas.

A guerra comercial consolidou Brasil e China como o núcleo do comércio global de soja durante 2025. Os dados alfandegários dos dois países mostram "uma simetria interessante" na dependência mútua, mas também deixaram o Brasil mais vulnerável ao timing de chegada dos grãos ao mercado chinês. Nos últimos meses de 2025, a queda nos embarques brasileiros reduziu o fluxo de oferta na China, mas os volumes foram suficientes para formar estoques elevados de soja, farelo e óleo, que atingiram o pico em dezembro. Os estoques comerciais de soja, farelo e óleo da China se acumularam até os níveis mais altos vistos em anos. Esses estoques começaram a cair no início de janeiro. Os estoques privados de soja importada, que atingiram o pico de 7,8 milhões de toneladas, caíram para 6,88 milhões de toneladas na primeira semana de janeiro.

Algumas esmagadoras planejaram reduzir ou interromper temporariamente as operações antes do feriado do Ano Novo Lunar, em fevereiro. O ritmo mensal de processamento já recuou de 10 milhões a 11 milhões de toneladas durante o verão e outono para 8 milhões a 9 milhões de toneladas. Há rumores de que alguns moinhos de ração não cobriram suas necessidades de farelo de soja para março e abril. A soja comprada dos Estados Unidos não alivia o quadro no curto prazo e pode até agravar a volatilidade adiante. Embora a China tenha adquirido entre 8 milhões e 10 milhões de toneladas desde o encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em outubro, apenas 1,2 milhão de toneladas foram efetivamente embarcadas entre novembro e dezembro. A maior parte só deve ser liberada pela alfândega chinesa entre abril e maio, praticamente no mesmo momento em que começa a chegar em volume a nova safra brasileira.

A maior parte das compras norte-americanas foi feita pela Sinograin, empresa estatal responsável pelas reservas estratégicas da China. Os grãos norte-americanos podem ir diretamente para armazéns chineses para substituir reservas antigas, enquanto os grãos brasileiros continuam dominando o mercado. As esmagadoras privadas seguem afastadas do mercado norte-americano por causa da tarifa adicional de 12% que ainda incide sobre a soja dos Estados Unidos. Para compensar a oferta mais curta, o governo chinês recorreu às reservas. Entre dezembro e janeiro, a Sinograin realizou quatro leilões de soja importada, vendendo cerca de 2 milhões de toneladas. A Sinograin vendeu soja de suas reservas em quatro leilões durante dezembro e janeiro para abrir espaço para os grãos norte-americanos e adicionar à oferta cada vez mais restrita. Essa chegada simultânea de soja brasileira e norte-americana no segundo trimestre cria risco de pressão sobre as cotações.

A nova safra brasileira, estimada em 177 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e em 178 milhões pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), deve elevar rapidamente os embarques entre março e maio. A China provavelmente receberá um grande volume de soja do Brasil entre março e maio, coincidindo com a chegada da soja norte-americana comprada entre novembro e janeiro. Para o Brasil, a leitura é de maior volatilidade nos próximos meses. No curto prazo, o aperto na China pode sustentar preços e prêmios para a soja brasileira no primeiro trimestre. No médio prazo, porém, a inundação de grãos no segundo trimestre tende a pressionar as cotações. Os preços à vista provavelmente sofrerão pressão de alta e poderão apresentar volatilidade durante o primeiro trimestre, seguidos por preços mais baixos no segundo trimestre. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.