ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

28/Jan/2026

China está mais cautelosa nas importações de soja

Segundo a StoneX, o mercado global de soja tem a China mais cautelosa em relação às importações, apesar da trégua comercial com os Estados Unidos, em um ambiente ainda marcado por pressões macroeconômicas domésticas, deflação persistente e ajuste prolongado no setor de proteínas animais. Os mercados chineses de commodities agrícolas iniciam 2026 em uma encruzilhada, com forças altistas pontuais sendo contrabalançadas por fatores estruturais negativos. Embora a trégua comercial ofereça um possível piso para a demanda, a deflação doméstica persistente e a contínua redução de estoques no setor de proteínas animais continuam exercendo forte pressão negativa. A recuperação das importações chinesas de soja tende a ocorrer de forma gradual e cautelosa no primeiro trimestre de 2026, refletindo não apenas o ambiente macroeconômico, mas também decisões estratégicas relacionadas à gestão de estoques.

A perspectiva para o primeiro trimestre de 2026 aponta para uma recuperação cautelosa das importações de grãos e para o prolongado reequilíbrio do complexo de proteínas. Esse comportamento ocorre mesmo após a confirmação, em janeiro, de que empresas estatais chinesas compraram cerca de 12 milhões de toneladas de soja dos Estados Unidos desde o fim de outubro, cumprindo compromissos assumidos no âmbito da trégua comercial. Ainda assim, o volume segue bem abaixo das aproximadamente 23 milhões de toneladas adquiridas no ano-safra 2024/2025, o que reforça a leitura de que o apetite chinês permanece contido no início de 2026. Um dos pontos de atenção é a liberação de estoques antigos de soja no mercado doméstico chinês. A China iniciou a liberação de cerca de 3 a 4 milhões de toneladas de estoques antigos de soja, o que levanta preocupações sobre a capacidade de armazenamento para a grande quantidade de soja americana que está por vir.

Esse movimento reduz a urgência por novas compras no curto prazo e adiciona volatilidade à dinâmica de importações. As implicações para o Brasil são diretas. O redirecionamento temporário das compras chinesas para os Estados Unidos tende a concentrar os embarques brasileiros no segundo semestre. Esse movimento encurta a janela de exportação do Brasil para a China no primeiro semestre, deslocando volumes para o terceiro trimestre. Apesar disso, o Brasil segue como principal fornecedor estrutural da soja chinesa. O País respondeu por mais de 70% das importações chinesas nos últimos anos, sustentado por ampla oferta e competitividade logística durante a safra. Ainda assim, o recorde de produção brasileira previsto para 2026 exigirá atenção redobrada à demanda externa. A redistribuição do comércio de soja, moldada pelo acordo EUA-China e pela estratégia chinesa de reservas domésticas, representa um desafio relevante para o Brasil lidar com sua maior safra da história.

Do lado da demanda doméstica chinesa, o principal fator baixista segue sendo o setor de proteínas animais. O ciclo de baixa nos suínos deve se estender até o primeiro trimestre de 2026, com margens negativas e necessidade de redução de plantel. A redução do rebanho impacta diretamente o consumo de milho e farelo de soja. O setor de aves apresenta dinâmica semelhante, com excesso de oferta, queda de preços e redução do consumo de ração. Qualquer recuperação mais consistente das importações chinesas de soja dependerá de choques de oferta ou de uma melhora mais clara do ambiente macroeconômico. A recuperação das importações de grãos dependerá principalmente de eventos climáticos, arbitragem favorável de importação e da estratégia de estoques governamentais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.