29/Jan/2026
Segundo a StoneX, o mercado de óleo de soja entra em 2026 com o Brasil como principal vetor de sustentação da demanda, impulsionado pelo mandato obrigatório de biodiesel, em um ambiente ainda marcado por ampla oferta global e indefinições regulatórias nos Estados Unidos, que seguem limitando uma reação mais consistente dos preços. A Lei do Combustível do Futuro estabelece que a mistura obrigatória de biodiesel deve avançar para 16% (B16) a partir de 1º de março de 2026. Ainda assim, neste momento, o cenário-base é de manutenção do mandato em 15% (B15) ao longo do ano, diante das incertezas sobre a implementação efetiva do cronograma. Mesmo nesse cenário mais conservador, haverá crescimento relevante da demanda doméstica por óleo de soja.
A demanda brasileira em 2025 deve ter alcançado aproximadamente 9,8 milhões de metros cúbicos de biodiesel e 7,9 milhões de toneladas de óleo de soja direcionadas ao biocombustível. Para 2026, com a manutenção do B15, o consumo pode avançar para cerca de 10,4 milhões de metros cúbicos de biodiesel e 8,4 milhões de toneladas de óleo de soja. Caso o B16 seja efetivamente implementado a partir de março, essas quantidades poderiam atingir 11 milhões de metros cúbicos e 8,9 milhões de toneladas, respectivamente. Esse avanço da demanda ocorre em um contexto de esmagamento elevado no Brasil, o que garante ampla oferta de óleo de soja ao mercado. Ainda assim, o consumo ligado ao biodiesel segue como o principal canal de absorção da produção adicional, reduzindo o risco de formação excessiva de estoques no mercado doméstico ao longo de 2026. No mercado internacional, o comportamento dos preços continua fortemente condicionado pelo cenário nos Estados Unidos.
Apesar do crescimento estrutural da demanda por biocombustíveis, o setor segue enfrentando atrasos e indefinições regulatórias, especialmente em relação aos programas de incentivo e ao crédito fiscal 45Z. Esse ambiente tem limitado uma recuperação mais consistente das cotações ao longo dos últimos meses. A expectativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) é de manutenção de consumo elevado de óleo de soja destinado a biocombustíveis nos Estados Unidos em 2025/2026, o que oferece suporte estrutural à demanda. Ainda assim, a combinação entre oferta abundante, margens pressionadas e incertezas regulatórias continua restringindo movimentos mais fortes de alta nos preços negociados na Bolsa de Chicago. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.