30/Jan/2026
Segundo a StoneX, a nova rodada de expurgos no alto comando militar da China, que atingiu oficiais próximos ao presidente Xi Jinping, tende a reduzir o risco de escalada geopolítica no curto prazo e cria um ambiente mais favorável para a continuidade dos embarques de soja aos chineses. A remoção de mais dois generais da Comissão Militar Central, incluindo um aliado histórico de Xi, aprofundou um processo de reorganização que deixa o comando das Forças Armadas concentrado e, ao mesmo tempo, fragilizado. Isso tende a manter as águas calmas. Não é esperado que a China faça um movimento sobre Taiwan nesse ambiente.
Para o mercado agrícola, a leitura é que a prioridade da China passa a ser estabilidade interna e previsibilidade externa, reduzindo o incentivo a choques que afetem comércio e logística. Na prática, esse cenário sustenta o cumprimento do acordo comercial recente com os Estados Unidos, que prevê a compra de 12 milhões de toneladas de soja. As compras já foram realizadas e os embarques começaram. Tanto Xi quanto o presidente norte-americano Donald Trump têm razões domésticas para manter o ambiente internacional sob controle. Para 2026, porém, a competitividade da soja brasileira limita o espaço para novos compromissos relevantes da China com a origem norte-americana.
Com a safra do Brasil praticamente definida e custos mais baixos, a expectativa é de que a oleaginosa brasileira permaneça mais barata ao longo de todo o ano-calendário. Os esmagadores chineses são orientados a valor. Eles vão para o melhor custo, e isso aponta para o Brasil. Compras adicionais de grande porte, como um eventual pacote de 25 milhões de toneladas no próximo ano comercial, só fariam sentido se conduzidas pelo comprador estatal chinês para formação de estoques estratégicos, dado o limite de capacidade de armazenamento do setor privado. Mesmo assim, o cenário-base trabalha com volumes menores, possivelmente na faixa de 12 milhões de toneladas, como parte de renegociações graduais do acordo.
Ainda que eventuais problemas climáticos na Argentina tenderiam a impactar mais o mercado de derivados do que o de grão, sem alterar de forma estrutural a vantagem brasileira. Com isso, a perspectiva é de continuidade da migração da demanda chinesa para o Brasil, enquanto os Estados Unidos buscam apoio crescente do mercado doméstico, especialmente via biocombustíveis. A instabilidade política na China, longe de aumentar o risco imediato para o comércio agrícola, atua como fator de contenção. Os riscos existem, mas hoje eles ajudam a manter o foco em estabilidade. Isso é positivo para o fluxo de soja e de outras commodities. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.