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18/Feb/2026

Exportações firmes de soja não compensam os prêmios em queda

A combinação entre colheita lenta no Centro-Norte devido ao excesso de chuvas, prêmios em recuo nos portos brasileiros e incertezas sobre compras adicionais da China nos Estados Unidos mantém o mercado de soja pressionado neste início de ano. Segundo relatório do Itaú BBA, a formação de preços no primeiro trimestre dependerá essencialmente do comportamento da demanda externa.

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita atingia 17% da área no início de fevereiro. O Mato Grosso liderava os trabalhos, com 47% da área colhida, seguido por Paraná (14%) e Minas Gerais (13%). Apesar da expectativa de avanço ao longo do mês, o ritmo segue abaixo do esperado.

O excesso de chuvas na região central tem limitado as operações e provocado gargalos logísticos. Fretes nas rotas mato-grossenses subiram mais de 10% na segunda quinzena de janeiro. A tendência é de alívio gradual com a normalização da retirada da safra, mas os prêmios no porto de Paranaguá devem permanecer pressionados durante o pico da colheita.

No mercado externo, o line-up de fevereiro indica embarques de 11,8 milhões de toneladas, ante 6,4 milhões no mesmo mês do ano anterior. Em janeiro, o Brasil exportou 1,9 milhão de toneladas, volume 75% superior ao de igual período de 2025, sinalizando fluxo robusto e manutenção da competitividade, mesmo com prêmios mais baixos.

A definição de tendência para os preços, contudo, passa pela China. O relatório aponta que o mercado acompanha a possibilidade de compras adicionais de soja norte-americana por parte de Pequim. Sinalizações indicam potencial aquisição de 20 milhões de toneladas nos Estados Unidos nesta temporada, além de compromisso de 25 milhões de toneladas no próximo ciclo — movimento que chegou a impulsionar os futuros na Chicago Board of Trade em cerca de 50 centavos de dólar por bushel em poucos dias.

Do ponto de vista comercial, entretanto, a avaliação é que não faria sentido à China deslocar volumes relevantes do Brasil para os EUA neste momento, considerando a colheita em andamento e os preços mais competitivos no mercado brasileiro. Caso as compras se confirmem, o impacto no Brasil deve ocorrer principalmente via prêmios, que já recuaram com a alta de Chicago. O país tende a manter diferenciais mais baixos para atrair a demanda remanescente, limitando a transmissão da valorização externa ao mercado físico doméstico.

No cenário global, o United States Department of Agriculture revisou para cima a safra brasileira, estimada agora em 180 milhões de toneladas. Para os Estados Unidos, as exportações foram mantidas em 42,9 milhões de toneladas, com estoque final projetado em 9,5 milhões de toneladas para 2025/26. O próximo movimento de Pequim será decisivo para determinar se Chicago sustenta a recente alta ou se o produtor brasileiro seguirá enfrentando um ambiente de físico fragilizado e câmbio pouco favorável ao longo da safra.