16/Mar/2026
Os futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago fecharam em leve baixa na sexta-feira (13/03). Traders embolsaram lucros após o mercado ter subido nas três sessões anteriores e acumulado ganho de 2,59% no período. Apesar do movimento de realização de lucros, o viés de alta ainda permanece no mercado. O vencimento maio da oleaginosa cedeu 2,00 cents (0,16%), e fechou a US$ 12,25 por bushel. Na semana passada, avançou 2%. Nos últimos dias, os preços vêm sendo fortemente influenciados pelas notícias relacionadas ao conflito no Oriente Médio e às tensões no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de energia. Para tentar mitigar a situação, os Estados Unidos passaram a permitir que países comprem petróleo russo já em trânsito no mar, mesmo sob sanções.
Ao mesmo tempo, o secretário de Defesa norte-americano, Pete Hegseth, afirmou que não há evidências claras de que o Irã tenha instalado minas no Estreito de Ormuz. Ainda assim, os mercados de grãos e de energia seguem sensíveis a novas notícias relacionadas ao conflito. O avanço do dólar ante o Real, que tende a estimular as exportações brasileiras, também pressionou as cotações. De acordo com a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil deverá embarcar 16,47 milhões de toneladas de soja em março, 4,7% mais do que os 15,73 milhões de toneladas de março de 2025. Esse número, no entanto, pode ficar abaixo do esperado, após a decisão da Cargill de paralisar embarques de soja brasileira para a China devido a mudanças nas inspeções fitossanitárias.
A paralisação ocorre antes de uma possível reunião de cúpula entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping, o que deixou traders mais otimistas quanto às chances de novas compras chinesas do grão norte-americano. No Brasil, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou uma safra recorde de 177,85 milhões de toneladas, aumento de 3,7 ante a safra anterior. A estimativa de exportações foi elevada de 112,19 milhões para 114,38 milhões de toneladas. Na Argentina, a Bolsa de Cereais de Buenos Aires informou que 35% da safra de soja tinha condição boa ou excelente na última semana, melhora de 5% ante a semana anterior. A parcela em condição regular ou ruim passou de 26% para 24%. A projeção de safra foi mantida em 48,5 milhões de toneladas.