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16/Mar/2026

Preços da soja avançam no mercado doméstico

Os preços internacionais da soja voltaram a superar os US$ 12,00 por bushel, o que não era observado desde maio de 2024. A valorização está associada principalmente ao aumento das tensões no Oriente Médio, com novos ataques próximos ao Estreito de Ormuz, o que elevou as preocupações quanto ao fluxo de petróleo na região e sustentou as cotações das commodities energéticas. Esse movimento reforçou o incentivo à mistura de biodiesel com óleo diesel, uma vez que o óleo de soja é a principal matéria-prima utilizada na produção do biocombustível. Como resultado, os contratos futuros do óleo de soja registraram forte valorização, retomando os patamares observados em agosto de 2023. Na Bolsa de Chicago, o contrato Março/26 da soja registra avanço de expressivos 4,2% nos últimos sete dias, alcançando o maior valor desde 29 de maio de 2023, a US$ 12,13 por bushel. Para o óleo de soja, o contrato de igual vencimento tem alta de 3,1% no mesmo intervalo, atingindo US$ 1.484,58 por tonelada, o mais alto desde 21 de agosto de 2023.

Os preços futuros do farelo de soja também estão em alta, impulsionados pelas expectativas de maior disputa entre consumidores domésticos e internacionais. O contrato Março/2025 apresenta valorização de expressivos 4,7% nos últimos sete dias, cotado a US$ 352,63 por tonelada, o maior patamar desde 18 de novembro de 2025. Ressalta-se que o preço do farelo reagiu com maior intensidade após a divulgação do relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Embora o USDA tenha apontado estabilidade para a maior parte das estimativas, indicou possível aumento na demanda por farelo de soja. A valorização externa eleva a paridade de exportação e sustenta as cotações domésticas. Ainda assim, o ritmo de negócios nos portos brasileiros é limitado por novos protocolos de exigências fitossanitárias. Esse cenário fez com que cargas destinadas à exportação fossem devolvidas nos últimos dias. Diante dessas incertezas, parte dos agentes passou a priorizar negociações entre regiões do mercado interno, em detrimento das exportações, até que haja maior clareza sobre as novas exigências.

Nos últimos sete dias, o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&F, referente ao grão depositado no corredor de exportação e negociado na modalidade spot (pronta entrega), no Porto de Paranaguá, apresenta alta de 1%, cotado a R$ 130,87 por saca de 60 Kg. A média ponderada da soja no Paraná, refletida no Indicador CEPEA/ESALQ registra avanço de 0,9% nos últimos sete dias, a R$ 122,92 por saca de 60 Kg. Nos últimos sete dias, as cotações da soja registram avanço de 0,9% no mercado de balcão (preço pago ao produtor) e de 0,8% no mercado de lotes (negociações entre empresas). Quanto aos derivados, a demanda por óleo de soja começou a se aquecer, enquanto consumidores de farelo relatam estar abastecidos. Assim, o óleo de soja (posto em São Paulo com 12% de ICMS) tem valorização de 1,7% nos últimos sete dias, cotado a R$ 6.556,90 por tonelada. O preço do farelo de soja registra leve recuo de 0,4% no mesmo comparativo. De acordo com o USDA, a produção mundial de soja foi revisada para 427,18 milhões de toneladas, levemente abaixo da safra passada.

A redução está associada sobretudo ao ajuste na produção da Argentina, estimada em 48 milhões de toneladas, quedas de 1,03% frente ao relatório anterior e de 6,08% em relação à safra passada, reflexo das condições climáticas desfavoráveis no país vizinho. Outro destaque do relatório é o aumento no esmagamento de soja nos Estados Unidos, projetado pelo USDA no recorde de 70,08 milhões de toneladas, volume 0,2% superior ao do relatório anterior e 5,3% acima da safra passada. Esse avanço está ligado ao maior consumo doméstico de farelo de soja, estimado também em patamar recorde: 38,48 milhões de toneladas. Para o Brasil, o USDA mantém a estimativa de produção recorde de 180 milhões de toneladas. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para baixo a projeção para a temporada 2025/2026, a 177,85 milhões de toneladas. A estimativa de produtividade para o Rio Grande do Sul foi reduzida em 11,5% em relação ao relatório anterior, mas deve permanecer 18,2% acima do da safra de 2024/2025.

Segundo a Conab, a colheita de soja no Brasil havia alcançado 50,6% da área até 7 de março, ritmo inferior aos 60,9% registrados no mesmo período do ano passado. Entre os Estados, o avanço chegou a 89,2% em Mato Grosso, 61% em Mato Grosso do Sul e 57% em Goiás. Na Região Sudeste, os trabalhos atingiram 39% em Minas Gerais e 38% em São Paulo, também abaixo do registrado há um ano. Na Região Sul do País, o ritmo de colheita segue mais lento, com 46% da área colhida no Paraná e 11,7% em Santa Catarina, enquanto no Rio Grande do Sul os trabalhos ainda não começaram. Na região do Mato ibá (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), as atividades também estão atrasadas: 31% da área foi colhida na Bahia, 52%, no Tocantins, 17%, no Maranhão e 19%, no Piauí. Quanto à demanda, a Conab manteve a previsão de consumo interno em 60,87 milhões de toneladas e elevou em 1,9% a estimativa de exportações de soja, projetadas em 114,38 milhões de toneladas. Diante disso, o estoque de passagem foi revisado para 9,54 milhões de toneladas, volume 19,6% inferior ao estimado no relatório anterior e 6,4% abaixo do registrado na safra passada. Fonte: Cepea. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.