17/Mar/2026
A possibilidade de adiamento da reunião entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, reduziu as expectativas de novas compras chinesas de soja norte-americana no curto prazo e pressionou as cotações da oleaginosa na Bolsa de Chicago. Segundo análise da Standard Grain, a China dificilmente ampliará as aquisições de grãos dos Estados Unidos no atual ano comercial. A China é o maior comprador global de soja e tradicionalmente absorve parcela relevante das exportações norte-americanas.
A sinalização do mercado também foi influenciada por informações divulgadas após reunião realizada em Paris entre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, o representante comercial norte-americano, Jamieson Greer, e autoridades chinesas. De acordo com relatos de mercado, a China demonstrou disposição para ampliar compras de produtos agropecuários dos Estados Unidos, como aves e carne bovina, mas não necessariamente de soja. Além do fator geopolítico, a competitividade da soja norte-americana no mercado internacional também permanece pressionada pela ampla oferta sul-americana.
A oleaginosa dos Estados Unidos está cerca de US$ 1 por bushel mais cara no mercado exportador em comparação com o produto brasileiro, o que reduz o incentivo para compras adicionais por parte da China. No Brasil, o avanço da colheita reforça o cenário de grande disponibilidade global. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção brasileira de soja na safra 2025/26 está estimada em 177,85 milhões de toneladas, volume recorde mesmo após pequenos ajustes nas projeções em razão de excesso de chuvas no Centro-Oeste e Sudeste e condições climáticas irregulares no Sul do País.
O posicionamento dos investidores também contribui para a volatilidade do mercado. Dados da Commodity Futures Trading Commission indicam que fundos de investimento ampliaram recentemente as posições compradas em contratos futuros de soja, elevando o volume líquido para cerca de 211 mil contratos, o maior nível desde o início de dezembro de 2025. Esse posicionamento elevado aumenta a sensibilidade das cotações a notícias negativas, já que movimentos de realização de lucros por parte dos fundos podem intensificar quedas nas cotações diante de sinais de enfraquecimento da demanda internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.