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17/Mar/2026

Brasil: margens de produtores estão pressionadas

A produção brasileira de soja caminha para um novo recorde na safra 2025/26, mas a rentabilidade do produtor apresenta forte deterioração, o que pode limitar a expansão da área plantada nos próximos anos. Estudo elaborado por pesquisadores da Universidade Purdue indica que o lucro do produtor em Mato Grosso deve cair para cerca de US$ 25 por hectare na temporada atual, o menor nível em quase duas décadas. Segundo o levantamento, a compressão das margens reflete principalmente a combinação de custos de produção ainda elevados e receitas menores em função de preços mais fracos no mercado internacional. Mesmo diante desse cenário de rentabilidade mais apertada, a safra brasileira segue projetada em nível recorde. A estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento aponta produção de 177,85 milhões de toneladas em 2025/26, volume cerca de 4% superior ao da temporada anterior. Consultorias privadas, por sua vez, trabalham com projeções entre 180 milhões e 183 milhões de toneladas.

Os custos de produção tiveram forte elevação nos últimos anos, especialmente após o aumento dos preços de fertilizantes decorrente do conflito entre Rússia e Ucrânia. Em áreas de alta tecnologia em Mato Grosso, os gastos chegaram a cerca de US$ 1.490 por hectare na safra 2022/23. Embora tenham recuado para aproximadamente US$ 1.380 por hectare na temporada atual, permanecem acima dos níveis históricos. A dependência externa de insumos contribui para esse cenário. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na agricultura, e a precificação desses produtos em dólar amplifica o impacto das oscilações cambiais sobre os custos dos produtores. Outro fator relevante para a rentabilidade foi o comportamento dos prêmios de exportação nos portos brasileiros, que representam o diferencial entre o preço físico e as cotações da soja na Bolsa de Chicago.

Em condições normais, esses prêmios variam entre US$ 0,40 e US$ 1,50 por bushel, podendo inclusive ficar negativos. Em 2025, no entanto, os prêmios chegaram a aproximadamente US$ 2 por bushel entre agosto e outubro, impulsionados pela suspensão temporária das importações de soja americana pela China. Esse movimento favoreceu as exportações brasileiras, que alcançaram cerca de 109 milhões de toneladas, com quase 80% destinadas ao mercado chinês. Apesar desse impulso pontual, a tendência estrutural aponta para margens mais estreitas. A área plantada de soja no Brasil cresceu de aproximadamente 23,5 milhões de hectares na safra 2009/10 para cerca de 48,5 milhões de hectares na temporada atual, com expansão média anual de 4,6%. Com custos elevados e crescimento mais moderado da demanda global, especialmente da China, esse ritmo de expansão tende a desacelerar nas próximas safras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.