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17/Mar/2026

Futuros de soja recuam com liquidação de posições

Os contratos futuros de soja negociados na Bolsa de Chicago registraram forte queda nesta segunda-feira (16/03) e atingiram o limite diário de baixa estabelecido pela bolsa, refletindo movimento de liquidação de posições compradas por parte de fundos e operadores. O ajuste ocorreu em meio à recomposição de posições após período de valorização e ao recuo das cotações do petróleo, que influenciou negativamente o complexo de oleaginosas. O contrato com vencimento em maio recuou US$ 0,70 por bushel, ou 5,71%, e fechou a US$ 11,55 por bushel. O movimento ocorreu em um ambiente de mercado considerado sobrecomprado, o que estimulou a realização de lucros após a queda do petróleo. Dados da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities indicaram que fundos mantinham posição líquida comprada em soja de 211.454 lotes na semana encerrada em 10 de março, volume 12,78% superior ao da semana anterior e o maior desde o início de dezembro de 2025, ampliando a sensibilidade do mercado a movimentos de liquidação.

O quadro de ampla oferta global também voltou a influenciar as negociações. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projetou produção recorde de soja no Brasil em 177,85 milhões de toneladas, volume 3,7% superior ao da safra anterior. A estimativa de exportações brasileiras foi elevada de 112,19 milhões para 114,38 milhões de toneladas. Nesse contexto, a expectativa é de ampliação das reservas globais, diante da entrada no mercado da safra recorde brasileira. Fatores geopolíticos também contribuíram para a pressão sobre os contratos. A possibilidade de adiamento de um encontro entre os líderes dos Estados Unidos e da China reduziu as expectativas de novas compras chinesas de soja norte-americana no curto prazo. O cenário ocorre em meio a tensões envolvendo o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo afetada pelo conflito com o Irã. Indicadores de demanda externa dos Estados Unidos vieram acima das expectativas, mas tiveram impacto limitado sobre os preços.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos informou que 966,08 mil toneladas de soja foram inspecionadas para exportação na semana encerrada em 12 de março, alta de 8,92% ante a semana anterior. O volume superou as estimativas do mercado, que apontavam até 800 mil toneladas. Do total embarcado, 545,86 mil toneladas tiveram a China como destino. No mercado doméstico norte-americano, os dados de processamento indicaram demanda firme. A indústria dos Estados Unidos processou 5,68 milhões de toneladas de soja em fevereiro, aumento de 17% em relação ao mesmo mês do ano anterior e a maior taxa diária de esmagamento já registrada para qualquer mês. O volume superou a expectativa média de analistas, que projetavam processamento de 5,52 milhões de toneladas. No Brasil, o avanço da colheita também contribui para o quadro de oferta elevada. O levantamento mais recente indica que os trabalhos alcançaram 61% da área cultivada, avanço em relação aos 51% da semana anterior, mas ainda abaixo dos 70% observados no mesmo período do ano passado.